Cultura
O que estou tentando dizer, através dos autores mencionados anteriormente, é que, a Antropologia e a Etnografia, criaram um vício de Estado, uma concepção que leva-nos a olhar o homem por lentes oficiais presas aos Universais.
Definindo o homem por um consenso universal excluímos de "propósito" as microanálises do tecido da cultura. Como diz Geertz, "a menos que um fenômeno cultural seja empiricamente universal, ele não pode refletir o que quer que seja sobre a natureza do homem é tão lógica como a noção de que, porque uma anemia celular não é, felizmente, universal, ela nada nos pode dizer sobre os processos genéticos humanos (GEERTZ, Interpretação das culturas, 1989, p. 32).
Ocorre, no caso de um movimento social de massa, esse mesmo "olhar" antropológico, que virou senso comum, faz recortes universais e impõe o olhar e análises sobre o recortado perdendo de vista os elementos micrológicos que constituem a condição da "explosão das massas".
Primeiro recorte, começa por excluir o "pequeno grupo" de destruição - aquele composto de violentos, destruidores do patrimônio, saqueadores, os "selvagens" em geral.
Em segundo lugar, tomamos como universais as questões de pauta: saúde, educação, segurança, transporte...
Em nenhum momento vai se considerar as subdivisões que constituem a formação da "Multidão Molecular" - sentido que Guattari empresta à noção de força - que é a causa das causas que resulta no clímax do movimento de massa.
A soma dos fatores só aparecem nas análises em "blocos prontos". Mesmo quando na cabeça dos grupos insatisfeitos - "tarifa zero", por exemplo - não é possível capturar a multiplicidade de fatores que vão, da "casa, à escola, dessa à igreja, da igreja à fábrica e se pulverizando nos espaços sociais mais abertos.
Eu digo - "fábrica" - no sentido em que Foucault quer dizer espaços de trabalho. Hoje, na realidade global da comunicação digital, tudo torna-se muito mais complexo - há um controle ausente.
Vamos nos perdendo, na medida em que, se faz recortes grandes de mais. Não que essa análise semiótica possa se tornar em "salvação" do problema em que nos encontramos. Mas precisamos buscar o maior número possível de fenômenos correlacionados ao que aparece como Acontecimento claro.
Essa percepção, de certeza, levou a presidência a pronunciar um discurso focado em pautas - ela também faz parte do paradigma que determina a análise dos fenômenos das massas.
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