Conclusão - IX

Uma coisa é ir ao gérmen, ao Ovo primordial, pela natureza mesma do organismo biológico, voltar ao fluxo germinal pelo inexorável destino com o qual todo ser vivo é convidado a ser confrontado. Outra coisa é ir deliberadamente numa atitude política de direito à vida. Por isso, as crianças “teimosas” não desistem nunca. Elas são como as aranhas que tecem a teia ou como as formigas que refazem o formigueiro. Fazer para si é algo estritamente singular, uma batalha solitária de um privilégio único. Encontro deliberado com a pulsão de morte, no sentido mais vital das grandes caminhadas espirituais. Eis a única guerra dos autores que escolhemos pesquisar. Uma guerra pela vida, não a vida de todos, mas a vida que pede singularidade. Nunca é a destruição, nem de um mínimo ser existente. Porque, se o nagual irrompesse com toda a sua fúria sobre o tonal, destruindo-o completamente, um corpo sem órgãos que destruísse todos os órgãos, tudo se transformaria “imediatamente em corpo de nada”.
Nesse sentido, só concebemos o derradeiro destino: a morte. Na tese, a pulsão de morte se complementa na vida dos indivíduos que querem se perpetuar. Talvez, pela mesma razão, Carlos Castañeda tenha lembrado as palavras de Dom Juan: “O tonal deve ser protegido a qualquer preço”.
Ao modo dos grandes espíritos, abre-se a possibilidade às grandes caminhadas espirituais. Abraão sai da Terra de Ur dos caldeus para uma Terra porvir. Como tal, jamais encontrada por ele. Um caminho sem caminho algum. Jacó, São Tiago de Compostela, mesmo Moisés que arrasta uma multidão de escravos pelo deserto. O que sustenta essas grandes jornadas? O que guia esses grandes homens? Eles são naquele instante de incerteza a mais pura beatitude. São os homens do futuro mesmo estando no passado. Lugar supremo para um encontro, no deserto. São viagens nômades. A força é de uma hecceidade, quando a vida encontra o seu Ser. Não o Deus que se criou nas areias do deserto, mas tão somente o momento em que ele permaneceu numa nuvem de um não-saber. Não a Terra soberana da Palestina, antiga Jericó. Mas a Terra sempre porvir. Não o povo de Israel, mas um povo porvir. Abre-se essa possibilidade que se fecha.

Ps. fecharei aqui esse tema e reiniciaremos um próximo em breve.



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