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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Isso não é um Chapéu - capitulo 11

O capítulo 11 da obra de Clécio Branco, "Isso não é um chapéu: reflexões a respeito do Pequeno Príncipe", mergulha em um dos encontros mais emblemáticos da jornada do principezinho: a visita ao quarto planeta, habitado pelo Homem de Negócios. Nesta síntese, vamos explorar como o autor utiliza essa figura para criticar a obsessão moderna pelo utilitarismo e a perda do encantamento. 1. A Diferença entre "Ter" e "Ser" O ponto central do capítulo é a crítica ao acúmulo vazio. Enquanto o Pequeno Príncipe valoriza as coisas pelo cuidado que dedica a elas (como sua rosa e seus vulcões), o Homem de Negócios acredita que a posse vem do simples ato de "contar" e "registrar".  * O Homem de Negócios: Representa a lógica do capital e da burocracia. Para ele, as estrelas são apenas números em um papel que ele guarda na gaveta.  * A Crítica de Clécio Branco: O autor aponta que, ao tentar "possuir" o universo através de números, o homem se to...

Solidão e Liberdade IV

  Somos esse ser-no-mundo , lançados na existência, mas não podemos viver nossa solidão sozinhos. A solidão, diferentemente da solitude , pode ser insuportável. A solidão é o estado da existência — nós existimos com nossos temores e nossas dores, podemos falar deles, mas, ao final de toda fala, seguimos sentindo ou temendo sem poder delegar a outro. Carregamos nossas alegrias e nossos fardos, os que são da nossa parcela da existência. Nessa parcela, incluem-se o envelhecimento — tempo ao qual, segundo Freud, a natureza reservou as maiores dores — e aquilo que há de mais inevitável e comum a todos: nosso término. As sensações e os afetos da morte que carregamos recalcados nos fazem sentir esse ar de solidão e desamparo intransferível. Chamamos a isso solidão, mas não se trata do fato de se ver socialmente sozinho; essa é uma condição remediável.   Diferente da solidão, a solitude está associada a sentimentos positivos de alegria por estar sozinho. Como dizem Deleuze e Guatta...
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  Livro: Encontros com o Mestre I: - Clécio Ferreira Branco | Estante Virtual E-Book: Isso não é um chapéu
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  E-Book: Isso não é um chapéu

Solidão e Liberdade III

  O avião teve uma pane, caiu no deserto — foi o motor que quebrou. O piloto está tentando consertar. Mas como um avião poderia decolar nas areias do deserto? Esse relato seria de um sonho ou é mesmo uma ficção? Isso não importa. As crianças não se importam com detalhes dessa natureza. Na mente das crianças, tudo parece ser um sonho ou uma ficção, é com o imaginário que estamos lidando. O mundo que se perdeu nos adultos foi a capacidade de confabular. Em O pequeno príncipe , essa capacidade volta ao adulto que faz um duplo de si. Ele, como no sonho, pode ser o piloto que tenta arrumar o motor do avião emperrado nas areias do deserto, mas também pode ser o menininho de cabelos dourados que aparece pedindo um favor:   — Por favor... desenhe um carneiro para mim... — O quê?! — Desenhe um carneiro para mim. [1] Por Clécio Branco – Psicólogo e Filósofo Do livro: Isso não é um chapéu: reflexões acerca do Pequeno Príncipe Editora: LC-Produções – Curitiba - Brasil ...

Solidão e Liberdade II

  Assim é para Martin Heidegger esse ser lançado no mundo — a princípio, sem um predicativo, o ser nu, sem direção ou essência, é o momento ontológico do ser humano, desse ser que pode dizer-se ser. A forma adulta de se posicionar no mundo. Todos nós somos empurrados para a construção de nós mesmos, única alternativa de existir com significado. O sentido (ou a essência) do ser nunca é dado, mas produzido pelo vivente no mundo. A relação com o outro é importante, mas não deve subverter a autenticidade da produção do sujeito em que se tornará. Os diálogos que se seguem podem ser tomados como uma reflexão interiorizada com a criança que foi, mas que retorna sempre na imagem nostálgica do que se perdeu. Aquilo que, nas vicissitudes dos encontros, nos tirou do caminho não deve ser a causa de não construirmos um caminho singular. Lembro, ao meu modo, as palavras de Sartre: “O mais importante não é o que fizeram com você, mas o que você vai fazer com o que fizeram”. Por Clécio Branco – ...

Solidão e liberdade I

  Por Clécio Branco – Psicólogo e Filósofo Do livro: Isso não é um chapéu: reflexões acerca do Pequeno Príncipe Editora: LC-Produções – Curitiba - Brasil   Todo mundo quer ser livre, sonha com a liberdade, mas poucos querem pagar o preço que ela cobra. Ser livre atrai o peso da solidão — esse é o preço.        Ainda na primeira pessoa, o narrador se revela um escrutinador da alma humana. Depois de ter analisado os encontros com os adultos, da infância à vida adulta, depois de ter conhecido um pouco dos seres humanos, sentiria imensa solidão, preço que se paga por ter consciência: “E assim vivi, solitário, sem ninguém com quem pudesse conversar de verdade, até o dia em que deu uma pane no meu avião e fiz um pouso forçado no deserto do Saara. Isso aconteceu faz seis anos”. [1] Não é coincidência que a “imensa solidão” preceda a imagem do “deserto do Saara”. As duas realidades caminham juntas, assim como a solidão e a liberdade. Talvez a influê...