Solidão e Liberdade III

 

O avião teve uma pane, caiu no deserto — foi o motor que quebrou. O piloto está tentando consertar. Mas como um avião poderia decolar nas areias do deserto? Esse relato seria de um sonho ou é mesmo uma ficção? Isso não importa. As crianças não se importam com detalhes dessa natureza. Na mente das crianças, tudo parece ser um sonho ou uma ficção, é com o imaginário que estamos lidando. O mundo que se perdeu nos adultos foi a capacidade de confabular. Em O pequeno príncipe, essa capacidade volta ao adulto que faz um duplo de si. Ele, como no sonho, pode ser o piloto que tenta arrumar o motor do avião emperrado nas areias do deserto, mas também pode ser o menininho de cabelos dourados que aparece pedindo um favor:

 

— Por favor... desenhe um carneiro para mim...

— O quê?!

— Desenhe um carneiro para mim.[1]

Por Clécio Branco – Psicólogo e Filósofo

Do livro: Isso não é um chapéu: reflexões acerca do Pequeno Príncipe

Editora: LC-Produções – Curitiba - Brasil



[1]Idem, ibidem.

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