Ego
Vamos pensar na duplicidade inerente a todo ser humano, ou seja, somos um ego e, ao mesmo tempo, outra coisa por trás dele. A questão se encontra bem colocada no drama bíblico, mais precisamente numa carta de São Paulo aos romanos. Ele diz, “aquilo que quero, não faço, mas o que me aborrece, isso faço”. O ego é de uma formação mediada com um outro: o pai, a mãe, os professores e o meio social em geral. Tudo aquilo que nos força a viver no mundo, mas certamente não o é de maneira mais verdadeira, embora pareça ser a mais transparente. Ficaríamos apavorados se víssemos com clareza o quanto o ego é trapaceiro. A questão é que não podemos vê-lo, já que ele é parte de nós mesmos. Ele se encontra tão próximo de nossa personalidade que não podemos percebê-lo: tudo que é muito próximo não é passivo de ser percebido. O ego se esconde onde menos se espera, nas virtudes morais, por exemplo. Pessoas demasiadamente humildes são demasiadamente vaidosas de sua humildade, mas elas não podem ver des...