Sabiá

Na Serra do Mar, o sabiá canta de outubro até o início de dezembro, se minha memória não me falha. Neste exato momento, escuto o canto de um sabiá, solitário entre tantos outros pássaros. Como mencionei em algum lugar, ele não canta para ninguém em particular. Se essa afirmação for verdadeira, o sabiá — assim como outros pássaros — canta para si mesmo, contribuindo para a perpetuação de sua espécie no ecossistema.

Essa perspectiva pode ferir o narcisismo de muitas pessoas, pois fomos ensinados desde cedo a acreditar que somos o centro do mundo e que tudo que existe e se move, existe para nós. Contudo, tudo indica que isso não passa de uma ilusão infantil de nossa espécie. O sabiá, com seu canto independente dos humanos, não compartilha dessa visão antropocêntrica.

A natureza, em sua sabedoria, opera em ciclos e necessidades próprias, alheias às nossas percepções egocêntricas. O canto do sabiá é um lembrete de que cada ser tem seu papel no equilíbrio do ecossistema, um papel que não depende da nossa presença ou aprovação.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Escolhas

Livre arbítrio

Reversão... II