Postagens

Mostrando postagens de 2021

Inverno

 Dias cinzas, quase escuros, nuvens pinceladas de gris, quase negras nuvens... As narrativas sombrias de hoje revolveram meu corpo, minhas vísceras se contorceram... os olhares de hoje, as visões que se tem do hoje... Palavras carregadas do peso da existência, do Real que foi e se eternizou na memória do corpo... na pele, nos ossos sob a carne... corpos expostos, desnudos em parte... Dias frios de ventos gelados, uma brisa respinga no asfalto como lágrimas da alma cansada, da vida, da tragédia dos dias infindos... das noites de perigos... Palavras frias, almas frias, sofridas e cansadas do ontem que nunca se esquece.... do ontem que não terminou. Longas noites frias, minutos eternos de insones horas, sem sonhos... Tempos sombrios que se arrastam ... corpos arrastados mar adentro de frias águas, profundas águas frias de escuras ondas... imensidão indefinida, sem margens, sem bordas... Inverno sem estação, fora de data, sem calendário... tempos sombrios, mórbidos corpos, andrajos, fa...

Vida invisível

  Onde está a vida? Não estamos nos referindo apenas aos seres vivos, aos organismos, mas também a eles. A vida está em toda parte, em dois sentidos: há a vida, quase indecifrável e pouco refletida — talvez profundamente pelos filósofos, mas menos pelos cientistas, que dependem de um objeto verificável para suas pesquisas. E há a vida dos organismos, mergulhada no oceano de sua fonte geradora: A VIDA. Antes de tudo, existe A VIDA, à-subjetiva, uma singularidade, uma vida pura, sem sujeito nem objeto, como Gilles Deleuze expôs em "Imanência: uma vida...". Um verdadeiro testamento filosófico, uma espécie de epígrafe de uma vida, escrito por ele antes de nos deixar. As reticências, nesse caso, não indicam uma ausência de palavras, mas sim a singularidade da pura imanência de "uma vida", indefinida assim mesmo, "sem sujeito, sem objeto". Ou seja, essa vida, na qual todas as formas de viventes estão subsumidas, é a pura vida. Uma vida na qual ingressamos, ...