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Mostrando postagens de dezembro, 2018

Sabiá

Na Serra do Mar, o sabiá canta de outubro até o início de dezembro, se minha memória não me falha. Neste exato momento, escuto o canto de um sabiá, solitário entre tantos outros pássaros. Como mencionei em algum lugar, ele não canta para ninguém em particular. Se essa afirmação for verdadeira, o sabiá — assim como outros pássaros — canta para si mesmo, contribuindo para a perpetuação de sua espécie no ecossistema. Essa perspectiva pode ferir o narcisismo de muitas pessoas, pois fomos ensinados desde cedo a acreditar que somos o centro do mundo e que tudo que existe e se move, existe para nós. Contudo, tudo indica que isso não passa de uma ilusão infantil de nossa espécie. O sabiá, com seu canto independente dos humanos, não compartilha dessa visão antropocêntrica. A natureza, em sua sabedoria, opera em ciclos e necessidades próprias, alheias às nossas percepções egocêntricas. O canto do sabiá é um lembrete de que cada ser tem seu papel no equilíbrio do ecossistema, um papel que não dep...