Pai
A imagem do pai do século XIX evaparou-se no século XX. Aquele Pai da subjetividade masculina que dava o nome, a fala e o falo aos seus filhos anda vacilante em sua crise de identidade. Não é o fim da família ainda, ela apenas se encontra em desordem, agonizando para se reinventar. Já não cabe mais na realidade social a família típica do modo cristã-judaica e idealista cujo patriarca funcionou como eixo central de produção de subjetividade e sentidos. São famílias reconstituídas, monoparentais, homoparentais e das formas possíveis de rearranjos: famílias de rua, de abrigos, pulveridas de capitalismo e remanescentes de áreas de guerra. Onde está o pai? Nunca o vimos tão diminuto e inexpressivo, o pai está morto? Kafka, ao ampliar o retrato do pai na extensão do mapa mundi (Carta ao pai), mostra que a função do nome do pai é exercida hoje pelas instituições de poder. Trata-se da autoridade de um pai que foi deslocado para as instâncias burocráticas de poder. O segredo da aut...