Solidão e Liberdade II
Assim é para Martin
Heidegger esse ser lançado no mundo — a princípio, sem um predicativo, o ser
nu, sem direção ou essência, é o momento ontológico do ser humano, desse ser
que pode dizer-se ser. A forma adulta de se posicionar no mundo. Todos nós
somos empurrados para a construção de nós mesmos, única alternativa de existir
com significado. O sentido (ou a essência) do ser nunca é dado, mas produzido
pelo vivente no mundo. A relação com o outro é importante, mas não deve
subverter a autenticidade da produção do sujeito em que se tornará.
Os diálogos que se seguem podem ser tomados como uma reflexão interiorizada com a criança que foi, mas que retorna sempre na imagem nostálgica do que se perdeu. Aquilo que, nas vicissitudes dos encontros, nos tirou do caminho não deve ser a causa de não construirmos um caminho singular. Lembro, ao meu modo, as palavras de Sartre: “O mais importante não é o que fizeram com você, mas o que você vai fazer com o que fizeram”.
Por Clécio Branco – Psicólogo e Filósofo
Do livro: Isso não é um chapéu: reflexões acerca
do Pequeno Príncipe
Editora: LC-Produções – Curitiba - Brasil
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