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Ciúme

A psicanálise lacaniana desenvolve uma máxima interessante sobre o desejo do outro, que é o meu desejo. Estou dizendo isso a minha maneira, é claro. Desejamos que o outro, indubitavelmente, nos dirija o seu próprio desejo. Dizendo de outra forma, desejamos que o desejo do outro seja único e exclusivamente para nós mesmos. Já não se trata de uma pessoa em carne e osso, mas sim do que abstraímos dela, ou seja, do desejo que pode e deve nos direcionar. Eis todo o sentido do sentimento que nos apossa e nos oprime, o sentimento de ciúme. Sentimos ciúme de uma pessoa que não pode garantir o tempo todo a entrega incondicional de seu desejo. O trágico nessa questão é que o desejo é fluido, volátil e se desfaz em fluxos contínuos. Ninguém, nem o desejante, nem o desejado, pode capturar o desejo do outro por um tempo indefinido. Ainda que não se fale sobre a perda do desejo, ela se faz presente de maneira tácita na vida das pessoas. Dessa (des)razão, fundamentamos nossos ciúmes, de amigos, ...