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Árvore

Uma árvore pressupõe um ponto fixo enraizado com relativa extensão vertical. Mesmo quando se trata do “maior cajoeiro do mundo” que se multiplicou em muitos, é sempre a partir de um pivô principal que se origina. A imensa árvore nordestina conta com um ponto de partida, um começo que é primeiro em relação às demais unidades. No caso é uma multiplicação do Um. Usamos a botânica para aplicar a figura da árvore à lógica que organiza o pensamento e, por extensão, a vida e o mundo. O verdadeiro e o falso passam a depender das raízes, não se pode pensar se não passar pelas raízes. Se você não estiver falando a partir “de” não será ouvido. Como pode estar falando se não passar por determinados enquadres, se não está dentro do que se disse antes? A árvore da vida é muito menos uma questão de botânica e mais de formação do pensamento. Nesse caso, o texto que fala da árvore da ciência é mais filosófico e menos religioso. É toda uma civilização que se construiu por derivação de tais folhas pro...

Formigas

Por que não extinguimos as formigas? Por que elas sobrevivem a uma certa tecnologia que tem como objetivo a sua extinção? Por que sendo elas tão ”indefesas” e “frágeis” em relação a soberania do homem, ainda assim são a maioria? O império das formigas, que compreende incontáveis formigueiros, tem uma lógica de funcionamento muito semelhante a dos ratos. Formigas fazem rizoma, a organização do formigueiro se assemelha às partículas de quantas, só a física contemporânea pode explicar a resistência das formigas e sua lógica de coexistência com a natureza. São seres rizomáticos conforme Deleuze/Guattari se conectam a qualquer parte e em qualquer lugar. O ponto de partida também serve de chegada, o meio também é um começo. Um rizoma não é excludente, não há “terceiro excluído” no rizoma, ou seja, exclusões do tipo “isso ou aquilo” que se remete à lógica da raiz que é um sistema invariável e constante.  O rizoma é inclusivo com base na conjunção “e”, “e”, “e”. As formigas inserem no...

Rizoma

Pensando a partir da Botânica, um rizoma é um tubérculo, uma raiz que prolifera horizontalmente para qualquer lado, em qualquer direção. Nunca se sabe onde começou, nem onde termina. A grama e o gengibre são formas rizomáticas. A figura que se opõe ao rizoma é a árvore. Ela fixa suas raízes como fundamentos bem estabelecidos. Na história do pensamento, fala-se da “imagem do pensamento” árvore-raiz. É a imagem dogmática do pensamento, uma espécie de juízo que submete o pensamento às raízes dogmáticas que o funda. Tudo deve passar pelo crivo do fundamento árvore-raiz. Muitos sábios foram executados por pensarem além das árvores: Nicolau Copérnico, Geordano Bruno, apenas para lembrar dois exemplos. Nesses casos, trata-se de uma hierarquia do conhecimento, pressuposições de um ponto de partida e de um ponto de chegada. Desta forma, você não poderia estar falando de determinadas coisas se ainda não passou pelos começos. Ao contrário do rizoma, que pode começar em qualquer ponto e se cone...