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Deus...

Deus...  para que é que serve? Carecemos de um nome que totalize o Ser ou que nos faça acreditar que o impossível possa ser banido da existência. Um nome cuja significância possa encerrar a infinita cadeia de significantes, que possa tapar o furo de toda constituição dos sujeitos. Devemos à Freud essa teorização da pulsão de morte, uma força bruta que nos habita, potência de demolição de todas as formas organizadas. O que nos ocorre é a realidade de uma falta constitutiva/excesso na ordem do Ser. O pano de fundo inarrável de todo ser. Um furo diabólico que jamais permite a tão almejada totalização.  Olhamos o mundo como se fosse organizado e harmônico, um belo mundo, de dias ensolarados e noites estreladas, tendo por trás do sol e das estrelas um bom Deus que nos ama e cuida. Com essa visão de mundo, esperamos afastar de nossas consciências o fantasma de um eu além do humano, mundo selvagem que não se deixa subjetivar na cultura civilizada. Os nomes: Razão, Civilização, P...

Um deus...

        Nos dias em que a natureza mostra a sua força devastadora, fala-se mais de Deus. Um sobrevivente solitário e ilhado nas montanhas pode enterrar seus familiares ao mesmo tempo em que declara, “foi por Deus...”. Outros tantos, em meio ao cenário devastado, tendo perdido tudo, igualmente repetem, “só Deus...”. No silêncio, que segue o final de cada sentença fica a impotência dos sujeitos que, por um lado, não “podem” atribuir à Deus a causa final de suas tragédias, por outro lado, atribuem a Ele a razão do pouco que lhes restaram. É mais fácil se comportar assim, dizendo “Deus” no lugar de tudo o mais que se possa pensar, dizer ou fazer ou evitar tragédia ainda maiores. De certa forma, o ser humano derrotado pela dor , em seu silêncio, responsabiliza Deus. Em algum lugar, disseram que pelo menos os justos não sofreriam nenhum dano. Mas não é assim que ocorre normalmente, o avião cai e morrem “justos e injustos”.  Ninguém pode dizer que um bebê de s...