Deus...
Deus... para que é que serve?
Carecemos de um nome que totalize o Ser ou que nos faça acreditar que o impossível possa ser banido da existência. Um nome cuja significância possa encerrar a infinita cadeia de significantes, que possa tapar o furo de toda constituição dos sujeitos. Devemos à Freud essa teorização da pulsão de morte, uma força bruta que nos habita, potência de demolição de todas as formas organizadas. O que nos ocorre é a realidade de uma falta constitutiva/excesso na ordem do Ser. O pano de fundo inarrável de todo ser. Um furo diabólico que jamais permite a tão almejada totalização.
Olhamos o mundo como se fosse organizado e harmônico, um belo mundo, de dias ensolarados e noites estreladas, tendo por trás do sol e das estrelas um bom Deus que nos ama e cuida. Com essa visão de mundo, esperamos afastar de nossas consciências o fantasma de um eu além do humano, mundo selvagem que não se deixa subjetivar na cultura civilizada. Os nomes: Razão, Civilização, Pai, Deus etc., são essas tentativas frustradas de encerrar o irrepresentável dentro de uma caixa de totalização. O nome de Deus, que retorna com tantas faces, é a persistência permanente da civização – seja ela qual for – “de impor uma integridade simbólica à ameaça sempre presente de desintegração e negatividade”. Por que são tentativas frustradas? Porque é um sistema de recorrência contínuada de duplo sentido, uma axiomática que cubra o furo do inexplicável e inenarrável da pulsão de morte.
A axiomática conclui a tentativa frustrada da totalização com a negação do furo (lacuna) na ordem do Ser. No caso máximo das tragédias naturais, a axiomática insere como causa última do inarrável, a vontade ou os desígneos de Deus. No mesmo sentido em que um(a) adolescente, ao se ver assaltado(a) por forte paixão, exclama supirando: Aí meu Deus! Nos dois casos, na tragédia e na paixão, o que falta é, ao mesmo tempo, o que excede. Excesso de vida e falta de sentido, dois absurdos cuja lacuna aponta para derrocada do sujeito que se firma na visão linear do mundo, mas que acaba de fracassar ante os dois acontecimentos que clamam por um sentido unificador, nesse caso, Deus. O nome vai “servir” a muitos propósitos de fuga no sentido que, por não existir sentido algum, funciona como uma axiomática de atribuição de sentido.
Nunca se ouviu tanto o nome Deus, para tantas situações: no sucesso financeiro do empresário, foi a benção de Deus. E na tragédia do avião que caiu, são os mistérios de Deus. É mais difícil pensar fora dessa caixa. Na verdade, na caixa não se pensa. O que nos faz pensar é esse algo sabotador, o demônio que vem sempre demolir as estruturas simbólicas da subjetividade que nos faz acreditar no senso comum. É na anulação de nossas certezas que nos constituimos como seres autônomos e livres. Devemos às incertezas todo o avanço de nosso conhecimento. A vida é marcada por esse excesso que salta para fora da caixa de nossas convicções. Quando usamos o nome Deus no sentido exposto, quando ele mesmo deixa de ser o Absurdo, o Sem-Nome é porque já perdeu o seu sentido e passa a vigorar para qualquer coisa como uma ferramenta banal.
Olhamos o mundo como se fosse organizado e harmônico, um belo mundo, de dias ensolarados e noites estreladas, tendo por trás do sol e das estrelas um bom Deus que nos ama e cuida. Com essa visão de mundo, esperamos afastar de nossas consciências o fantasma de um eu além do humano, mundo selvagem que não se deixa subjetivar na cultura civilizada. Os nomes: Razão, Civilização, Pai, Deus etc., são essas tentativas frustradas de encerrar o irrepresentável dentro de uma caixa de totalização. O nome de Deus, que retorna com tantas faces, é a persistência permanente da civização – seja ela qual for – “de impor uma integridade simbólica à ameaça sempre presente de desintegração e negatividade”. Por que são tentativas frustradas? Porque é um sistema de recorrência contínuada de duplo sentido, uma axiomática que cubra o furo do inexplicável e inenarrável da pulsão de morte.
A axiomática conclui a tentativa frustrada da totalização com a negação do furo (lacuna) na ordem do Ser. No caso máximo das tragédias naturais, a axiomática insere como causa última do inarrável, a vontade ou os desígneos de Deus. No mesmo sentido em que um(a) adolescente, ao se ver assaltado(a) por forte paixão, exclama supirando: Aí meu Deus! Nos dois casos, na tragédia e na paixão, o que falta é, ao mesmo tempo, o que excede. Excesso de vida e falta de sentido, dois absurdos cuja lacuna aponta para derrocada do sujeito que se firma na visão linear do mundo, mas que acaba de fracassar ante os dois acontecimentos que clamam por um sentido unificador, nesse caso, Deus. O nome vai “servir” a muitos propósitos de fuga no sentido que, por não existir sentido algum, funciona como uma axiomática de atribuição de sentido.
Nunca se ouviu tanto o nome Deus, para tantas situações: no sucesso financeiro do empresário, foi a benção de Deus. E na tragédia do avião que caiu, são os mistérios de Deus. É mais difícil pensar fora dessa caixa. Na verdade, na caixa não se pensa. O que nos faz pensar é esse algo sabotador, o demônio que vem sempre demolir as estruturas simbólicas da subjetividade que nos faz acreditar no senso comum. É na anulação de nossas certezas que nos constituimos como seres autônomos e livres. Devemos às incertezas todo o avanço de nosso conhecimento. A vida é marcada por esse excesso que salta para fora da caixa de nossas convicções. Quando usamos o nome Deus no sentido exposto, quando ele mesmo deixa de ser o Absurdo, o Sem-Nome é porque já perdeu o seu sentido e passa a vigorar para qualquer coisa como uma ferramenta banal.
Clecio,
ResponderExcluirMe sinto privilegiado de ler a verbalização das idéias que incomodam qualquer um que já esteve preso à forma de "pensar" dentro da caixa.
Fora da caixa o ar é puro, novo e contrasta com ar viciado do ambiente mofado da caixa.
Pena de quem nunca se permitiu respirar esse ar puro!
E não é isso...?
ResponderExcluirDeixe-me tentar entender: Fora da caixa não há Deus? Ou existe sempiterno, mas não serve aos propósitos obscuros dos homens (conceder-lhes os desejos, paixões, bem como sujeitar incautos pelo medo do castigo, etc)?
ResponderExcluirSe ele funciona como senhor das sínteses, onde permite a ligação de um axioma a outro; nesse caso, Ele é a caixa.
ResponderExcluirConfesso que sua resposta me trouxe maiores dúvidas...
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