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Mostrando postagens de 2025

Isso não é um Chapéu - capitulo 11

O capítulo 11 da obra de Clécio Branco, "Isso não é um chapéu: reflexões a respeito do Pequeno Príncipe", mergulha em um dos encontros mais emblemáticos da jornada do principezinho: a visita ao quarto planeta, habitado pelo Homem de Negócios. Nesta síntese, vamos explorar como o autor utiliza essa figura para criticar a obsessão moderna pelo utilitarismo e a perda do encantamento. 1. A Diferença entre "Ter" e "Ser" O ponto central do capítulo é a crítica ao acúmulo vazio. Enquanto o Pequeno Príncipe valoriza as coisas pelo cuidado que dedica a elas (como sua rosa e seus vulcões), o Homem de Negócios acredita que a posse vem do simples ato de "contar" e "registrar".  * O Homem de Negócios: Representa a lógica do capital e da burocracia. Para ele, as estrelas são apenas números em um papel que ele guarda na gaveta.  * A Crítica de Clécio Branco: O autor aponta que, ao tentar "possuir" o universo através de números, o homem se to...

Solidão e Liberdade IV

  Somos esse ser-no-mundo , lançados na existência, mas não podemos viver nossa solidão sozinhos. A solidão, diferentemente da solitude , pode ser insuportável. A solidão é o estado da existência — nós existimos com nossos temores e nossas dores, podemos falar deles, mas, ao final de toda fala, seguimos sentindo ou temendo sem poder delegar a outro. Carregamos nossas alegrias e nossos fardos, os que são da nossa parcela da existência. Nessa parcela, incluem-se o envelhecimento — tempo ao qual, segundo Freud, a natureza reservou as maiores dores — e aquilo que há de mais inevitável e comum a todos: nosso término. As sensações e os afetos da morte que carregamos recalcados nos fazem sentir esse ar de solidão e desamparo intransferível. Chamamos a isso solidão, mas não se trata do fato de se ver socialmente sozinho; essa é uma condição remediável.   Diferente da solidão, a solitude está associada a sentimentos positivos de alegria por estar sozinho. Como dizem Deleuze e Guatta...
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  Livro: Encontros com o Mestre I: - Clécio Ferreira Branco | Estante Virtual E-Book: Isso não é um chapéu
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  E-Book: Isso não é um chapéu

Solidão e Liberdade III

  O avião teve uma pane, caiu no deserto — foi o motor que quebrou. O piloto está tentando consertar. Mas como um avião poderia decolar nas areias do deserto? Esse relato seria de um sonho ou é mesmo uma ficção? Isso não importa. As crianças não se importam com detalhes dessa natureza. Na mente das crianças, tudo parece ser um sonho ou uma ficção, é com o imaginário que estamos lidando. O mundo que se perdeu nos adultos foi a capacidade de confabular. Em O pequeno príncipe , essa capacidade volta ao adulto que faz um duplo de si. Ele, como no sonho, pode ser o piloto que tenta arrumar o motor do avião emperrado nas areias do deserto, mas também pode ser o menininho de cabelos dourados que aparece pedindo um favor:   — Por favor... desenhe um carneiro para mim... — O quê?! — Desenhe um carneiro para mim. [1] Por Clécio Branco – Psicólogo e Filósofo Do livro: Isso não é um chapéu: reflexões acerca do Pequeno Príncipe Editora: LC-Produções – Curitiba - Brasil ...

Solidão e Liberdade II

  Assim é para Martin Heidegger esse ser lançado no mundo — a princípio, sem um predicativo, o ser nu, sem direção ou essência, é o momento ontológico do ser humano, desse ser que pode dizer-se ser. A forma adulta de se posicionar no mundo. Todos nós somos empurrados para a construção de nós mesmos, única alternativa de existir com significado. O sentido (ou a essência) do ser nunca é dado, mas produzido pelo vivente no mundo. A relação com o outro é importante, mas não deve subverter a autenticidade da produção do sujeito em que se tornará. Os diálogos que se seguem podem ser tomados como uma reflexão interiorizada com a criança que foi, mas que retorna sempre na imagem nostálgica do que se perdeu. Aquilo que, nas vicissitudes dos encontros, nos tirou do caminho não deve ser a causa de não construirmos um caminho singular. Lembro, ao meu modo, as palavras de Sartre: “O mais importante não é o que fizeram com você, mas o que você vai fazer com o que fizeram”. Por Clécio Branco – ...

Solidão e liberdade I

  Por Clécio Branco – Psicólogo e Filósofo Do livro: Isso não é um chapéu: reflexões acerca do Pequeno Príncipe Editora: LC-Produções – Curitiba - Brasil   Todo mundo quer ser livre, sonha com a liberdade, mas poucos querem pagar o preço que ela cobra. Ser livre atrai o peso da solidão — esse é o preço.        Ainda na primeira pessoa, o narrador se revela um escrutinador da alma humana. Depois de ter analisado os encontros com os adultos, da infância à vida adulta, depois de ter conhecido um pouco dos seres humanos, sentiria imensa solidão, preço que se paga por ter consciência: “E assim vivi, solitário, sem ninguém com quem pudesse conversar de verdade, até o dia em que deu uma pane no meu avião e fiz um pouso forçado no deserto do Saara. Isso aconteceu faz seis anos”. [1] Não é coincidência que a “imensa solidão” preceda a imagem do “deserto do Saara”. As duas realidades caminham juntas, assim como a solidão e a liberdade. Talvez a influê...

O BANQUETE

  O homem é frequentemente descrito como naturalmente religioso: busca o que vem do Alto, tem sede de Deus. Convencionou-se, nessa chave, identificar o psiquismo com essa inclinação. Vale lembrar, porém, que essa concepção é histórica; sua forma clássica nasce com os gregos. Para Platão, tal impulso não é um problema, mas um propulsor que eleva o homem à esfera inteligível, onde se contemplam as Ideias. Longe de inibir, isso estimula o filosofar: é pela filosofia que o pensador pode aspirar a uma estabilidade, inteireza, justeza e perenidade que a condição mortal lhe nega. A divisão do mundo, operada por Platão, instaura uma diferença de natureza entre dois planos. De um lado, há o plano divino das Ideias: o mundo ideal acima das estrelas, o reino das essências ou formas puramente inteligíveis, lugar dos modelos superiores. Trata-se de uma realidade verdadeira, que existe em si e permanece imutável, idêntica a si mesma, apreensível apenas pe...

Desejo e política

  O desejo de interagir com o mundo — por meio da cultura, da literatura, do afeto ou da sensualidade — parece, hoje, cada vez mais vigiado. Como se a própria vitalidade da vida, em sua pluralidade de expressões, fosse vista com desconfiança. Em meio à complexidade da existência, esse impulso criativo e transformador encontra obstáculos sutis, impostos por estruturas que buscam domesticar o desejo e restringir a liberdade de manifestação. Michel Foucault, se estivesse entre nós, talvez reconhecesse em nosso tempo a materialização mais intensa de sua ideia de “sociedade de controle”. Certas figuras públicas, investidas de autoridade institucional, ocupam posições estratégicas em áreas sensíveis — como educação e família — e, por meio de discursos normativos, reconfiguram os sentidos do desejo, da produção intelectual e da experiência afetiva. Em gestos simbólicos e políticas concretas, essas intervenções deslocam o desejo para o campo da moralidade, atribuindo-lhe significados que o...

La Modernidad Líquida en Bauman y Marx

La expresión "todo lo sólido se desvanece en el aire" está frecuentemente asociada a la idea de constante transformación y efemeridad en la modernidad. Bauman, en su teoría de la "modernidad líquida", explora cómo las relaciones sociales y las estructuras se vuelven cada vez más fluidas e inestables, en contraste con la "modernidad sólida" anterior, marcada por estructuras rígidas y duraderas. Marx, por su parte, señala la dinámica del capitalismo, donde el capital-dinero simboliza esa fluidez, transformando todo en mercancía, incluyendo el trabajo y los recursos humanos. La idea de que en la "Peste", metáfora para tiempos de crisis o opresión como la invasión fascista en Francia, la esencia de ese sistema se revela de manera más cruda. El fascinio por la mercancía y el consumo se convierte en un mecanismo de dominación y alienación, donde hasta nuestra identidad y valores son comercializados. ...

A Modernidade Líquida em Bauman e Marx

  A expressão "tudo o que é sólido se desmancha no ar" é frequentemente associada à ideia de constante transformação e efemeridade na modernidade. Bauman, em sua teoria da "modernidade líquida", explora como as relações sociais e estruturas se tornam cada vez mais fluidas e instáveis, em contraste com a "modernidade sólida" anterior, marcada por estruturas rígidas e duradouras. Marx, por sua vez, aponta para a dinâmica do capitalismo, onde o capital-dinheiro simboliza essa fluidez, transformando tudo em mercadoria, incluindo trabalho e recursos humanos. A ideia de que na "Peste", metáfora para tempos de crise ou opressão como a invasão fascista na França, a essência desse sistema se revela de forma mais crua. O fascínio pela mercadoria e pelo consumo se transforma em um mecanismo de dominação e alienação, onde até mesmo nossa identidade e valores são comercializados. Esta análise se a...

Violencia Neuronal según Byung-Chul Han

  El filósofo surcoreano Byung-Chul Han analiza el aumento de los fenómenos de enfermedades cerebrales como una consecuencia del modelo económico centrado en el rendimiento y el agotamiento. Han observa que muchas personas no están descansando bien en sus hogares, lo que las lleva a dormir en el subte, en los colectivos y a transitar el día en un estado de cansancio y somnolencia constante. El incremento en los diagnósticos de trastorno de ansiedad generalizada, trastorno por déficit de atención con hiperactividad (TDAH), síndrome de burnout y narcisismo son, según Han, características propias de nuestra época. Estos fenómenos están directamente relacionados con el uso excesivo de internet, la sobreexposición constante y las demandas incesantes de alto rendimiento. Además, los tiempos de cierre, los intervalos y las pausas están desapareciendo de nuestras rutinas laborales. El trabajo remoto o home office ha extendido la jornada laboral más allá de los espacios tradicionales, trans...

Violência Neuronal em Byung-Chul Han

O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han analisa o aumento dos fenômenos de adoecimento cerebral como resultado do modelo econômico centrado no desempenho e no cansaço. Ele observa que muitas pessoas não estão dormindo bem em suas casas, o que as leva a dormir no metrô, no ônibus e a caminhar ao longo do dia em um estado de cansaço e sonolência constante. O aumento nos diagnósticos de transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), síndrome de burnout e narcisismo são considerados por Han como marcas de nosso tempo. Esses fenômenos estão diretamente relacionados ao uso abusivo da internet, ao excesso de exposição e à exigência constante de alto desempenho. Além disso, tempos de término, intervalos e pausas estão sendo eliminados de nossas rotinas de trabalho. O regime de home office contribuiu para a expansão da jornada de trabalho muito além dos espaços laborais tradicionais, transformando o tempo destinado ao descanso e ao lazer em tempo d...

La vida.

 ¿Dónde está la vida? No nos referimos solo a los seres vivos, a los organismos, sino también a ellos. La vida está en todas partes, en dos sentidos: está la vida, casi indescifrable y poco reflexionada, tal vez profundamente por los filósofos, pero menos por los científicos, que dependen de un objeto verificable para sus investigaciones. Y está la vida de los organismos, sumergida en el océano de su fuente generadora: LA VIDA. Antes que nada, existe LA VIDA, asubjetiva, una singularidad, una vida pura, sin sujeto ni objeto, como expuso Gilles Deleuze en «Imanencia: una vida...». Un verdadero testamento filosófico, una especie de epígrafe de una vida, escrito por él antes de dejarnos. Los puntos suspensivos, en este caso, no indican una ausencia de palabras, sino la singularidad de la pura inmanencia de «una vida», indefinida tal cual, «sin sujeto, sin objeto». Es decir, esa vida, en la que se subsumen todas las formas de seres vivos, es la vida pura. Una vida en la que entramos, «...

Vírus

 Un organismo es siempre una condición múltiple de engendramientos posibles. Sin embargo, al constituirse como organismo, se manifiesta como un múltiplo de una o dos unidades. Por otro lado, la vida no se limita a esta aritmética; se presenta como una multiplicidad infinita de posibilidades, no numéricas, sino cualitativas. Se trata, por lo tanto, de una ecuación N-1, es decir, una singularidad sustraída del todo. Esta perspectiva ayuda a esclarecer la dificultad de hacer frente a los virus y las bacterias. Mientras que la lucha contra organismos que se subdividen en múltiplos estadísticos (2; 4; 6; 8, etc.) permite a la ciencia alcanzar logros temporales, la vida, en su esencia, regresa incesantemente como una multiplicidad infinita. La ciencia, tal y como se concibe, se ocupa predominantemente del «uno» y el «dos», es decir, del sujeto y el objeto. Pero, ¿cómo podría abarcar una multiplicidad infinita que, por naturaleza, es inconmensurable? Concluimos, finalmente: o transformamo...

El dolor como espectáculo

  La noción de exposición que trasciende la mera exhibición sexual es abordada por Byung-Chul Han en su obra. Según el filósofo, el exceso de exposición, característico de la sociedad de la transparencia, elimina la tensión esencial entre erotismo y pornografía. En el erotismo, el misterio desempeña un papel central, preservando el secreto y alimentando el deseo. La pornografía, por su parte, se basa en la exposición total y explícita, eliminando cualquier rastro de misterio o profundidad. En este contexto, Han observa que el dolor explícito se convierte en un producto de diversión y entretenimiento, haciéndose eco de una lógica de mercantilización presente en la sociedad contemporánea. Este tipo de espectáculo se remonta históricamente al Coliseo romano, donde miles de hombres eran asesinados para entretener a una población ávida de sangre. En la actualidad, los rings de lucha libre reflejan una versión menos violenta, pero aún impregnada de elementos similares al antiguo espectác...

A dor como espetáculo

A noção de exposição que transcende a mera exibição sexual é abordada por Byung-Chul Han em sua obra. Segundo o filósofo, o excesso de exposição, característico da sociedade da transparência, elimina a tensão essencial entre erotismo e pornografia. No erotismo, o mistério desempenha um papel central, preservando o segredo e alimentando o desejo. Já a pornografia, por sua vez, baseia-se na exposição total e explícita, eliminando qualquer resquício de mistério ou profundidade. Nesse contexto, Han observa que a dor explícita se transforma em um produto de diversão e entretenimento, ecoando uma lógica de mercantilização presente na sociedade contemporânea. Esse tipo de espetáculo pode ser traçado historicamente até o Coliseu romano, onde milhares de homens eram mortos para entreter uma população ávida por sangue. Nos tempos atuais, os ringues de luta livre refletem uma versão menos violenta, mas ainda permeada por elementos semelhantes ao antigo espetáculo. Embora as mortes sejam raras, os...

Outis - nadie

 Literalmente, "nadie" es un sustantivo masculino del idioma griego, mencionado en los comentarios de Haroldo de Campos sobre la "Ilíada" de Homero, especialmente en el contexto de la falta de hospitalidad de los Cíclopes. El viajero extranjero era tratado como un "nadie", apátrida, sin significado social, valor o dignidad humana, invisible a los ojos de quienes deberían acogerlo. Es importante recordar que, en la mitología griega, las personajes y sus actitudes a menudo representan las fuerzas que actúan en los individuos y en la sociedad. Estas dinámicas se manifiestan claramente en la actualidad, cuando refugiados de guerras, epidemias o hambre son tratados como "NINGUÉN" en países que, a menudo, son los mismos que contribuyeron a sus adversidades. Un ejemplo impactante de esta deshumanización ocurrió en 2017 en Venecia, cuando turistas filmaron a un refugiado africano ahogándose en el Gran Canal y no ofrecieron ayuda. Para ellos, él era simpl...

Capitalisme et pulsion de mort

 Le titre « Capitalisme et pulsion de mort » de Byung-Chul Han critique sévèrement le capitalisme contemporain, en l'associant à la notion psychanalytique de pulsion de mort, introduite par Freud. Han soutient que le capitalisme moderne non seulement épuise les ressources matérielles, mais favorise également une autodestruction sociale et psychologique, à l'instar d'un cancer qui détruit l'organisme. Contrairement à ses prédécesseurs, Han se concentre sur la dimension psychique et sociale des effets du capitalisme. Karl Marx avait déjà souligné les contradictions internes du système capitaliste, tandis qu'Antonio Negri et Michael Hardt avaient abordé la logique de la rareté et l'impact du capitalisme sur la vie sociale. Han, quant à lui, met l'accent sur la création de besoins et de désirs artificiels et la transformation conséquente de tout en biens de consommation, ce qui conduit à l'épuisement des individus et de la société.  Han utilise la métaphore ...

Un monde sans douleur

Dans La société palliative, Byung-Chul Han rappelle Nietzsche en affirmant : « La douleur et le bonheur sont deux frères jumeaux qui grandissent ensemble ou [...] — ensemble, ils restent petits ». Cette réflexion nous rappelle que les hommes et les femmes forts ne sont pas nés ainsi ; ils se sont forgés dans les douleurs du monde. L'aphorisme « ce qui ne nous tue pas nous rend plus forts » est en voie de disparition ; l'excès de médicaments visant à éradiquer toutes les douleurs, y compris l'angoisse d'exister, promet un paradis sans souffrance. C'est la marque de la société palliative au sein de la société de la performance : une vie conçue pour être hautement performante, mais dépourvue de douleur. Cependant, l'exclusion de la négativité imposée par la douleur occulte ses aspects politiques, ainsi que la solitude humaine, étouffée par le bruit incessant du succès. Un jour, peut-être, nous oublierons que les douleurs sont les signes révélateurs de l'échec d...

Un mundo sin dolor

En La sociedad paliativa, Byung-Chul Han recuerda a Nietzsche al afirmar: «El dolor y la felicidad son dos hermanos gemelos que crecen juntos o [...] juntos permanecen pequeños». Esta reflexión nos recuerda que los hombres y mujeres fuertes no nacieron así; se forjaron en los dolores del mundo. El aforismo «lo que no nos mata nos hace más fuertes» está en vías de desaparecer; el exceso de fármacos para erradicar todos los dolores, incluida la angustia de existir, promete un paraíso sin sufrimiento. Esa es la marca de la sociedad paliativa dentro de la sociedad del rendimiento: una vida diseñada para un alto rendimiento, pero desprovista de dolor. Sin embargo, la exclusión de la negatividad impuesta por el dolor oculta sus aspectos políticos, así como la soledad humana, ahogada por el ruido incesante del éxito. Quizás algún día perdamos el recuerdo de que los dolores son señales reveladoras del fracaso de modelos sociales que no han funcionado en ningún lugar. Por eso es necesario escuc...

Vivir y existir

En la sociedad contemporánea, orientada al rendimiento, se ha establecido una ecuación perversa: poseer más equivale a vivir más en términos de días, pero no necesariamente en plenitud. Byung-Chul Han denomina esta condición «sociedad paliativa», en la que la vida se prolonga, pero la vitalidad se desvanece. Los individuos se convierten en «muertos vivientes», a los que se les prohíbe morir, en una existencia que se prolonga artificialmente, desprovista de verdadero sentido. Esta realidad se hace eco de la prohibición del suicidio en el Imperio Romano, donde tal acto se consideraba perjudicial para la economía. En la actualidad, hemos reinventado esta prohibición de una manera sutil, pero igualmente coercitiva: hemos desterrado el dolor, el sufrimiento, el envejecimiento y la muerte de nuestro discurso y nuestra práctica cotidianos, ya que se consideran amenazas a la positividad exigida por la máquina de producción. La sociedad paliativa, por lo tanto, no es solo una extensión de la vi...

La muerte del dolo

  En una versión optimizada del «Dios ha muerto» de Nietzsche, Byung-Chul Han casi llega a decir: «el dolor ha muerto», y con él  nace el hombre vivo-muerto. El hecho es que el capitalismo transforma el dolor en axioma, no para eliminarlo de la existencia, sino para sacrificar la simbolización de todos los dolores que siente el hombre.  En realidad, la economía de mercado convierte la producción del dolor y la consiguiente industria farmacéutica en dos productos que nunca pueden permanecer en las estanterías del mercado; así es, se fabrica dolor para vender medicamentos. Incluso lo sagrado ha sido apropiado, despojándolo de su sacralidad para permanecer en el mercado religioso.  Este mercado, llamado religioso, es hoy el más creciente y exitoso en el mundo de la producción del dolor y la venta de la cura; los empleados casi no reciben remuneración, el producto es abstracto y los resultados nunca pueden ser reclamados por el consumidor: si no se entregan en forma de s...

A morte da dor

  Numa versão otimizada do "Deus está morto" de Nietzsche, Byung-Chul Han quase chega a dizer: "a dor está morta", e com dela,  nasce homem vivo-morto. O fato é que o capitalismo transforma a dor em axioma não para removê-la da existência, mas para sacrificar a simbolização de todas as dores sentidas pelo homem. Na verdade, a economia de mercado faz da produção da dor e da consequente indústria medicamentosa dois produtos que jamais podem permanecer nas prateleiras do mercado — isso mesmo, fabrica-se dor para vender remédios. Até mesmo o sagrado foi apropriado, desapropriando sua sacralidade para permanecer no mercado religioso. Este mercado, chamado religioso, é hoje o mais crescente e de maior sucesso no mundo da produção da dor e venda da cura; os funcionários quase não são remunerados, o produto é abstrato e os resultados nunca podem ser reclamados pelo consumidor — se não forem entregues em forma de supostos milagres, é porque o consumidor não doou o suficiente...

Viver e existir

 Na sociedade contemporânea, orientada para o desempenho, estabeleceu-se uma equação perversa: possuir mais equivale a viver mais em termos de dias, mas não necessariamente em plenitude. Byung-Chul Han denomina essa condição de "sociedade paliativa", onde a vida se estende, mas a vitalidade se esvai. Os indivíduos se tornam "mortos-vivos", proibidos de morrer, numa existência que se prolonga artificialmente, desprovida de verdadeiro sentido. Esta realidade ecoa a proibição do suicídio no Império Romano, onde tal ato era visto como prejudicial à economia. Atualmente, reinventamos essa proibição de maneira sutil, mas igualmente coercitiva: banimos a dor, o sofrimento, o envelhecimento e a morte do nosso discurso e prática cotidianos, pois eles são vistos como ameaças à positividade exigida pela máquina da produção. A sociedade paliativa, portanto, não é apenas uma extensão da vida biológica, mas uma reconfiguração do que consideramos aceitável e valioso. A negação da ...

O Tempo II

 Segunda Síntese: Ativa Obs. a compreensão do texto depende da parte I Gilles Deleuze denuncia a morte do senhor das sínteses (Deus) como consequência da rachadura do "Eu" pensante no cogito cartesiano. A forma pura do tempo racha o "Eu", mas é dessa "violência" que surge o pensamento. O pensamento não é um ato espontâneo do "Eu pensante", mas uma violência que o tempo vivo impõe sobre a estrutura mental que circula no cérebro, dependente dele para se tornar processos. Kant introduz o tempo puro no pensamento, considerando que o pensamento é a extensão consciente do corpo, ou seja, a representação que o corpo faz de si mesmo. Ainda não existe uma estrutura simbólica da representação; não há representante e representado. A linguagem ainda não foi introduzida. Mesmo na segunda síntese, que é ativa e o momento das ideias, o pensamento é movente porque se apoia em partículas infinitesimais de um tempo puro que nem mesmo se deixa segmentar na consciên...

Educação e Transversalidade III

  A Educação em Tempos de Revolução Tecnológica e Disrupção Social Uma questão fundamental emerge: como enfrentar a realidade de um mundo pautado pela complexidade e pela disrupção com teorias pedagógicas ainda presas a uma visão linear do aprendizado? A aceleração da revolução tecnológica, somada ao impacto das redes sociais e à fragmentação de identidades e valores, demanda reformas estruturais mais intensas na maneira como concebemos e aplicamos a educação. Por um lado, a escola, confinada entre paredes físicas e mentais, não consegue acompanhar a velocidade de transformação do mundo, tampouco oferece ferramentas adequadas para que os alunos compreendam esse contexto instável. Por outro lado, o avanço da tecnologia por si só não garante uma educação mais efetiva; é necessário que ela seja integrada a uma prática epistemológica adequada. Não basta digitalizar métodos tradicionais; é preciso inventar novos modos de ensinar e aprender. Um aspecto particularmente sensível é a relaçã...

Educação e transversalidade II

Epistemologia e Investigação em Educação: Complexidade, Mundo B.A.N.I.  O avanço das discussões epistemológicas em educação e as metodologias de investigação científica têm encontrado novos caminhos diante da acelerada transformação tecnológica e das condições socioculturais contemporâneas. A teoria da complexidade de Edgar Morin e o conceito de rizoma de Deleuze e Guattari continuam relevantes, porém, precisam ser revisitados e integrados à luz do estado da arte, considerando as demandas impostas por um cenário de constante rupturas e incertezas, como o que caracteriza o mundo B.A.N.I. (frágil, ansioso, não-linear e incompreensível). Do Mundo V.U.C.A. ao Mundo B.A.N.I.: Novos Paradigmas para a Educação Desde os anos 1980, o mundo V.U.C.A. (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo) vinha caracterizando a fluidez da globalização e a volatilidade dos mercados e das relações humanas. No entanto, por volta da década de 2010, o modelo V.U.C.A. começou a ser ultrapassado por uma nova camada ...

Um mundo sem dor

 Em A Sociedade Paliativa , Byung-Chul Han recorda Nietzsche ao afirmar: "dor e felicidade são dois irmãos gêmeos que crescem juntos ou [...] — juntos permanecem pequenos". Essa reflexão nos lembra que homens e mulheres fortes não nasceram assim; eles se forjaram nas dores do mundo. O aforismo "aquilo que não nos mata nos fortalece" está em vias de desaparecer; o excesso de fármacos para erradicar todas as dores, inclusive a angústia de existir, promete um paraíso sem sofrimento. Essa é a marca da sociedade paliativa dentro da sociedade do desempenho: uma vida projetada para alta performance, mas desprovida de dor. Contudo, a exclusão da negatividade imposta pela dor escamoteia seus aspectos políticos, bem como a solidão humana, abafada pelo ruído incessante do sucesso. Um dia, talvez, perderemos a lembrança de que as dores são sinais reveladores do fracasso de modelos sociais que não deram certo em lugar algum. Por isso, é necessário escutar a dor, entender o que e...

Capitalismo e Pulsão de morte

       O título "Capitalismo e Pulsão de Morte" de Byung-Chul Han faz uma crítica contundente ao capitalismo contemporâneo, associando-o à noção psicanalítica de pulsão de morte, introduzida por Freud. Han argumenta que o capitalismo moderno não só exaure recursos materiais, mas também fomenta uma autodestruição social e psicológica, semelhante à forma como um câncer destrói o organismo.      Diferentemente de seus antecessores, Han foca na dimensão psíquica e social dos efeitos do capitalismo. Karl Marx já havia destacado as contradições internas do sistema capitalista, enquanto Antonio Negri e Michael Hardt abordaram a lógica da escassez e o impacto do capitalismo na vida social. Han, por sua vez, enfatiza a criação de necessidades e desejos artificiais e a consequente transformação de tudo em bens de consumo, o que leva à exaustão dos indivíduos e da sociedade.      A metáfora da "pulsão de morte" é utilizada por Han para ilustrar com...