A morte da dor
Numa versão otimizada do "Deus está morto" de Nietzsche, Byung-Chul Han quase chega a dizer: "a dor está morta", e com dela, nasce homem vivo-morto. O fato é que o capitalismo transforma a dor em axioma não para removê-la da existência, mas para sacrificar a simbolização de todas as dores sentidas pelo homem. Na verdade, a economia de mercado faz da produção da dor e da consequente indústria medicamentosa dois produtos que jamais podem permanecer nas prateleiras do mercado — isso mesmo, fabrica-se dor para vender remédios. Até mesmo o sagrado foi apropriado, desapropriando sua sacralidade para permanecer no mercado religioso. Este mercado, chamado religioso, é hoje o mais crescente e de maior sucesso no mundo da produção da dor e venda da cura; os funcionários quase não são remunerados, o produto é abstrato e os resultados nunca podem ser reclamados pelo consumidor — se não forem entregues em forma de supostos milagres, é porque o consumidor não doou o suficiente ou não teve fé suficiente. De qualquer forma, no campo do sagrado ou do profano, a dor deixou de ser uma mensageira de sentido; ao silenciar a dor, silencia-se igualmente toda narrativa sobre ela.
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