Cultura

Assim como a família edipiana só pode ser explicada como a necessidade de sobreviver a uma dada ordem social - ela está à serviço de um tempo histórico - a ideia do Deus dadivoso se encontra na condição humana de desamparo, seja psicológico e social ao mesmo tempo, logo, Deus é histórico junto com a família. 

Quando a nação já se confirma nos ideias nacionalistas - tanto a família quanto o Deus - passam a fazer parte dos ideias da nação. O Deus amoroso se transforma em um Deus da guerra, destruidor e punitivo. E a família se organiza em torno do eixo que garante o Estado Nacional. 

O Patriarcado é um mini Estado em família, onde o pai se transforma em governo e os filhos em súditos - a mãe é uma espécie de funcionária que organiza e mantém o funcionamento da coisa, reproduzindo, cozinhando, cuidando. 

São os valores do Estado que se reproduzem em família. 

A ilusão é ideológica na figura do espaço privativo da família - o Estado já se encontra lá, dentro na intimidade da família sem que seus membros possam saber. São as condições sociais que determinam a família. 

Ela se organizar em função de sua sobrevivência perante a ordem que vai do biológico, do psicológico ao todo social.

O Deus nacional coopera muito com a organização e com a coesão social. 

Quando se precipita o movimento social é impossível perceber que a revolta é - também - a revolta contra os ideais religiosos. 

Em nosso caso, o povo prefere um governante que faça "confissões" religiosas que incluem uma visita ao papa, mesmo que no fundo, em silêncio subjetivo, não acredite na cartilha papal - e não acredita mesmo. 

O papa finge que acredita na crença dos governantes que lhe beijam a mão e os governantes do mundo cristão fingem que não sabem do cinismo papal.

Mas é, - tanto a realidade do duplo cinismo quanto das revoluções das massas que incluem uma revolta contra os ideais religiosos - pois a condições semióticas que fundam a subjetividade incluem os ideias religiosos que andam em justaposição com os ideais de Estado. 

Ninguém duvida que "a família que reza unida permanece unida" não seja um slogan de Estado.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Reversão... II

O cristianismo seria grego?

As sínteses II