Fascismos moleculares
Não existe formula mais estupida do que a do amante que diz “matar por amor”. E delicada é a conclusão jurídica que se faz do “assassinato por amor” – um crime passional que deve ser atenuado pelo fato de ter sido sob paixão. Toma-se o dito amor por paixão e o amante como vítima da mesma. Logo, todos nós, mais ou menos, estamos sujeitos a matar nossos amores quando estivermos sob pathos – paixão de onde se origina a palavra patologia. Considera-se que indivíduo não age inteiramente livre por estar patológico. E, consequentemente, no momento do crime, não teria a total posse das faculdades mentais – o criminoso estaria doente nesse sentido. Nunca se ouviu tanto de amantes que assassinam suas mulheres por “amarem demais”. E de amantes mulheres que se vingam por amor, matando a pessoa mais próxima do amante – filhos, enteados, ex-amor ou qualquer pessoa que atinja o sentimento do amante. Amantes assassinam seus filhos para provarem que têm “grande amor” um pelo outro. ...