MÁQUINAS DE GUERRA CONTRA APARELHOS DE CAPTURA


Uma máquina de guerra é dotada de velocidade para efetuar deslocamentos contínuos, como ocorre com os nômades, as sociedades sem Estado, os bandos, as matilhas dos lobos. Todas as imagens que eles compõem têm uma característica em comum que os arrastam para o excesso de vida. O fenômeno de minorias é o que dirige esses grupos.
Por outro lado, o Estado tenta apropriar-se da máquina de guerra ao imitar os deslocamentos velozes dos bandos. O Estado tem a seu favor as organizações e as instituições “sagradas”, que fazem outra captura da máquina de guerra nômade de modo silencioso. O Estado não para de inventar papéis que o pai vai desempenhar na família. Uma sagrada família tem suas funções religiosas na igreja estatal. O Estado pode ser laico em certo sentido, quando os déspotas não são mais religiosos por educação. Mas a igreja tem muita força política nos Estados laicos da atualidade.
A morte de Deus e a morte do pai não diminuem em nada as funções de autoridade de um e de outro. Na verdade, não é tarefa fácil combater um Deus morto e um pai deslocado depois que um e outro criaram o povo de alma coletiva. Por isso, não é fácil acabar com Édipo, nem deveria ser essa questão. Édipo, no sentido de autoridade, sempre esteve junto ao Estado. Há, por toda parte, autoridade em forma estrutural ou representativa, estruturalismo da língua ou estruturalismo das ciências sociais.
No limite, somos todos estruturados no inconsciente da família, mas, se algum fluxo escapar, ainda restam outros tantos departamentos de captura cuja ordem do dia é a edipianização ou a estruturação em linhas duras de segmentariedade.
Ps. continua

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