A vida




... É mais do que o percebido.
A luz, as plantas e os organismos nessa foto, são igualmente indivíduos vivos, uma multiplicidade de indivíduos, sujeitos/objetos que se remetem uns aos outros. Têm vida, mas não sendo eles a Vida. A vida impessoal atravessa sujeitos e objetos deixando pelo caminho milhares de indivíduos. A luz é um objeto que reflete em múltiplos sujeitos, não existe luz no vazio de objetos. Ela parte de um sujeito e reflete em tantos outros.
Embora tangível como a luz, a vida não é irredutível aos indivíduos e não parte de nenhum objeto. Os sujeitos e os objetos têm um começo, uma duração e perecem. A vida - como diz o filósofo Gilles Deleuze de forma insuperável - é nela mesma, não se remete a sujeito nem a objeto algum. É indefinida, não tem começo nem jamais finda – é ela mesma sem sujeito nem objeto, “imanência pura e nada mais”.
Essa condição ontológica não permite a existência de um ente criador da vida sem que seja ele mesmo indefinido, impessoal, pré-subjetivo e que se encontre fora do tempo – o tempo existe nele - sendo ele mesmo o único espaço onde todos os mundos coexistem – nem ele nem ela, apenas VIDA pré-individual. Ou seja, não existe um criador da vida além dela mesma – só a vida pode criar vida. Qualquer ente que se acha no tempo e no espaço não pode ser o criador da vida estando ele dependente da vida em que se acha mergulhado para existir. 

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