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Religião

Segundo Freud, o anseio religioso é a tentativa de responder ao desamparo humano, apaziguar as forças da natureza tansformando-a em pai amoroso (deuses), reconciliar o homem com seu destino inexorável - a morte - e prometer compensações pelos seus anos de sofrimento e renúncia de parte de seus instintos e desejos que lhe impõe a civilização. Por outro lado, a medida que a ciência e a tecnologia apresentem alternativas ao domínio da natureza, o homem aumente a relização da maior parte de seus instintos e desejos viabilizados na civilização, buscar-se-á menos a religião e mais a ciência. E a medida que a finitude seja encarada com naturalidade, o futuro das promessas da religião no sentido de apaziguar o terror e o medo da morte, tendem a perder o sentido.   Somos levados a crer que, se erradicados da vida, a culpa e o medo da morte haveria um esvaziamento do sentido da religião tal qual a concebemos ou a religião deverá reinvertar-se em seus propósitos. Talvez por isso, o...

Um...

O Um não pode ser apreendido, pensado, visto ou nominado. O Um não tem nome, é O Inonimável. Se O nominarmos, deixará de ser Um para ser mais um em meio aos outros. O Um é um não-saber. Não se pode produzir nenhum conhecimento sobro O Um. Ele é o Nada Absoluto. Afirmar um conhecimento sobre O Nada Absoluto é a mais perfeita forma de ignorância. Qualquer afirmação sobre o conhecimento do Um revela a própria negação do conhecimento. Só podemos saber o que O Um não é. Assim, insatisfeita com o não saber, a mente clama pelo saber.

Perspectiva

Olhando a Terra pela perspectiva do espaço, nas fotografias da NASA, não vemos fronteiras, nem raças, nem hierarquias, nem o poder com seus "tronos".   Não vemos credos religiosos com a luta pela posse do Deus verdadeiro. Só vemos a Terra com seus gases, os mares distantes e as tonalidades impostas pela luz do sol.   Mas entrando nela, se percebe toda arrogância humana e suas ficções de superioridade: religião verdadeira,   raça superior, Deus verdadeiro, a melhor das verdades, a nação mais desenvolvida, o homem mais rico, a mulher mais bonita, os dogmas, a vaidade.     Olhando a Terra de fora dela mesma é que percebemos a infantilidade da raça humana. Pequena, finita de uma brevidade estupida, desamparada, alienada do resto do universo e alienada de si mesma.     O homem inventou um mundo dentro de uma caverna para dar sentido a sua existência. Um ser lançado! Não pediu para nascer e nada pode fazer para evitar morrer....

Dogmas

Tudo pode ser criticado, exceto os dogmas. Por uma única razão, os dogmas não suportam as crítias e os dogmáticos mais fundamentais assassinam os críticos.

Novidade

O homem vive um dia novo cada dia, não pelo fato de ser um outro dia, mas pela única razão da impossibilidade de haver qualquer repetição do mesmo duas vezes.         Nada se repete para sustentar uma identidade do igual, nada de absoluto permanece no mundo além das leis necessárias – existir e morrer, por exemplo -, nada suspenso, nada de eterno além da eternidade do eterno retorno da diferença. Tudo está em contínua fuga eternamente. Eis a única e verdadeira boa nova!

Religião

Consta numa igreja do centro da cidade uma escritura do santo padre Leão XIII: “concedo 100 dias de indulgência aos fiéis que esta cruz beijarem com devoção recitando um padre nosso”. A mais de um século os adultos continuam acreditando nesses 100 dias de liberação de suas culpas. Desde que os pais internalizaram a lógica do castigo e da recompensa, ligada a doação de afeto e graça aos filhos, em troca de obediência, já não será mais de um pai externo que os seres humanos precisarão, mas da estrutura por eles interiorizada na mente dos filhos. Do pai presente dentro de casa, ao pai abstrato de Roma e, por extensão, ao Padre Nosso celestial, são modos de subjetivação que faz o “bicho homem” obedecer e acreditar nas recompensas. É um movimento de fora para dentro, as figuras de autoridade se transformam em estruturas psíquicas que passam a operar no lugar das primeiras. Depois de se interiorizar, separar e marcar na mente e no organismo as noções de recompensa e castigo, é o...

Lembranças

Os trilhos paralelos de ferro serpenteavam por entre os montes do lugar Um vale onde o verde predomina, mas em intervalos de tons de verde, cinza, apareciam multiplicidades   de tantas cores de flores e folhas Nossa casa, assim como tantas outras, sobressaia do verde em sua cor branca Sob a neblina e orvalho da manhã, formava-se uma imagem de um vivo quadro de parede antiga A casa branca de telhado musgo, de um envelhecido verde de lodo, testemunha de tantas estações Era ela mesma, a casa, uma estação antiga e abandonada pelo progresso que, junto com a velha máquina esfumaçada, que com seu apito estridente das madrugadas, foi-se também para nunca mais voltar A casa branca, antiga estação, de onde tantos chegavam e outros tantos partiam, ficou à sombra do vale juntamente com os velhos e enferrujados trilhos Deveria ser possível legislar sobre a conservação dos restos de sentido das vidas que ali viveram Esse tipo de memória não adoece ninguém, mas vivifica ...