Ressentimento
Imagine uma pessoa que não pode esquecer, uma pessoa cuja memória está sempre presente embotando a consciência. Tal pessoa não consegue digerir as lembranças que se presentificam na consciência.
A memória é um reservatório de experiências, enquanto que a consciência é “lugar” de encontro de forças ativas/reativas, forças que agem e forças que reagem aos estímulos. São encontros de forças que fazem da consciência um aparelho voltado para fora, para o ambiente vivido. Toda vez que uma força age sobre outra força, essa última reage obrigando o pensamento a pensar. Na verdade, o jogo de forças que se trava na consciência deveria causar uma violência que obrigasse a fazer o pensamento funcionar, mas não é sempre assim que sucede. O pensamento não é natural, pensar exige esforço e abnegação. Vivemos em um tempo onde os pensadores são cada vez mais raros. Pensa-se que pensa e é possível que a grandiosa massa de indivíduos venha a morrer sem nunca pensar. Se a educação prima pela memória, pela recordação, pela recognição, ou ainda, por relembrar em detalhes o que se passou, então, já não se precisa pensar, apenas se ressente o que se viveu um dia: ressentir é sentir de novo um afeto já vivido.
Em síntese, é isso, o homem moderno está grávido de lembranças e as ressente constantemente. A mídia está voltada para a memória, ela repete para marcar e manter as marcas; portanto, o homem contemporâneo é o homem das lembranças. Ele tem uma memória que se deslocou para a consciência impedindo-a de pensar. Com isso, a força que chega à consciência não encontra mais a reação de outra força, mas a reação a uma memória, por isso o homem da memória é também o homem do ressentimento. A força ativa reage às lembranças e não mais a outra força, assim, o indivíduo experimenta o mesmo afeto já sentido anteriormente impedindo-o de ser afetado pelo novo. Dessa forma, estamos funcionando na contra-mão da saúde, não é da lembrança que deveríamos nos ocupar, mas do esquecimento. Esquecer é saudável.
A memória é um reservatório de experiências, enquanto que a consciência é “lugar” de encontro de forças ativas/reativas, forças que agem e forças que reagem aos estímulos. São encontros de forças que fazem da consciência um aparelho voltado para fora, para o ambiente vivido. Toda vez que uma força age sobre outra força, essa última reage obrigando o pensamento a pensar. Na verdade, o jogo de forças que se trava na consciência deveria causar uma violência que obrigasse a fazer o pensamento funcionar, mas não é sempre assim que sucede. O pensamento não é natural, pensar exige esforço e abnegação. Vivemos em um tempo onde os pensadores são cada vez mais raros. Pensa-se que pensa e é possível que a grandiosa massa de indivíduos venha a morrer sem nunca pensar. Se a educação prima pela memória, pela recordação, pela recognição, ou ainda, por relembrar em detalhes o que se passou, então, já não se precisa pensar, apenas se ressente o que se viveu um dia: ressentir é sentir de novo um afeto já vivido.
Em síntese, é isso, o homem moderno está grávido de lembranças e as ressente constantemente. A mídia está voltada para a memória, ela repete para marcar e manter as marcas; portanto, o homem contemporâneo é o homem das lembranças. Ele tem uma memória que se deslocou para a consciência impedindo-a de pensar. Com isso, a força que chega à consciência não encontra mais a reação de outra força, mas a reação a uma memória, por isso o homem da memória é também o homem do ressentimento. A força ativa reage às lembranças e não mais a outra força, assim, o indivíduo experimenta o mesmo afeto já sentido anteriormente impedindo-o de ser afetado pelo novo. Dessa forma, estamos funcionando na contra-mão da saúde, não é da lembrança que deveríamos nos ocupar, mas do esquecimento. Esquecer é saudável.
Em que escola da vida aprenderia a arte de esquecer?
ResponderExcluirAprenderíamos se deixassemos de apodrecer por dentro...
ResponderExcluir"Apodrecemos" quando nos afastamos da vida, daquilo que podemos. Quando abdicamos de nossa vontade.
ResponderExcluirrsrsrsrsr é verdade, quando abdicamos de nossa vontade... mas quando é que temos a certeza de que podemos?
ResponderExcluirR.C.
se o pote estiver transbordando, não haverá espaço para mais nada que apareça. nada novo que surja. o papel toalha estará molhado e pesado, não absorverá nenhuma coisa mais....
ResponderExcluirNovos afetos...não é assim que deveria ser? As boas novas de grande alegria? É que fizeram dela uma velha triste...
ResponderExcluir...mesmo que pequenos.
ResponderExcluirO afeto esteve no olhar, na maneira de tocar, no cuidado ao falar, na escuta, nos elogios, no sabonete de canela, na preocupação com o bem estar, beijos surpreendentes na esquina, o afeto mesmo pequeno nos leva a desmesura.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirUAU! Eis um assunto que move a humanidade!!! Não haveria um "ressentir" positivo e um negativo? Se não temos amnésia, não esquecer e permitir-se "ressentir", reexaminar, reavaliar, observar se está cicatrizado não é mais saudável que "esquecer", posto que o total controle da memória seja questionável? A mim, me parece que o tempo se encarrega de abrandar até desvanecer dores e amores, até que um dia apalpa-se o local e não se encontra mais dor ou o que quer que seja.
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