Desejo
O desejo funciona como o fundo de nossa alma e, portanto, determina a nossa visão de mundo, somos determinados pelo desejo. Uma pessoa que se apaixona, tende a aproximar os fatos, de tal modo que os mesmos se ajustem ao seu desejo de conquista.
A própria percepção das coisas e das pessoas pode sofrer distorções em favor do desejante. O indivíduo religioso, por exemplo, tende a manipular os dados "inventando" sinais de deus que, segundo o desejante, está sempre a favor de sua realização. “deus me mostrou” “é a vontade de deus”. São as frases mais ouvidas. Isso pode ser verdadeiro, desde o exemplo dado, até aos níveis políticos de maiores conseqüências.
Nos dias atuais, ficou comum justificar as guerras a uma suposta vontade dos deuses, na verdade é uma volta ao passado, onde também a violência das guerras tinha, na visão dos homens, a aprovação, a benção ou a reprovação de deus. O homem deseja, mas não é adulto suficientemente para assumir sozinho o seu desejo com as suas conseqüências. Imaginem esse deus, criado segundo a semelhança e o desejo dos homens. É um deus que oscila em seu humor, horas ele fica feliz, horas se encontra zangado e mata os filhos rebeldes. É o próprio retrato humano inventando, segundo o desejo, um deus do bem e do mal. Um deus colérico com todas as doenças emocionais do homem.
Pensem nos jogadores de futebol, orando a deus para que lhes dê a vitória no campeonato. Ele teria que, no mesmo sistema, compor a vitória e a derrota. Isso porque o outro time também pede a vitória. Então fazem desse sujeito chamado deus um torcedor que manipula os dados do jogo. Mas ele é, ao mesmo tempo, contraditório quando o time que venceu, também, em um outro dia, será derrotado. Esse é o deus do desejo do homem.
aliás,
ResponderExcluirfaço questão
de manter meus pés
que ocultam as marcas das mãos, no chão
jamais renego os passos dados
jamais
posto que apesar de tudo
continuamos tão cegos como no passado
à descoberto
pássaros voam
flores encandecem
o milho cresce
recolhidos em suas essências
sem cliques mágicos
que esta é a própria vida
na ausência de uma paixão
que justifique a enormidade do fato
mas, se há um projeto
que seja ...
não para a lua
que sequer é de prata
e quem sabe as estrelas nem mais brilhem
nem para este pequeno sol
desavisado de seu insignificante lugar na via
não é metáfora que se confie.
nada mais há para ser dito
o nome ... jamais poderá ser proferido
(vb 2010)
Tristes distorções,sempre questionei-me a esse respeito...tais espectativas adviriam da hipocresia ou da cegueira de um ego inflamado? Servos da prosperidade, das bençãos infinitas, filhos "únicos" do "rei"... Seja como for, não são pautadas nas Boas Novas, na retidão, no amor, no perdão e humildade do Cristo...só se ouve o que lhes convem.
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