Ratos
Por uma questão de sobrevivência, os ratos são especialistas em fugas. É da natureza desses pequenos animais fugir de todos, de gatos, de cachorros, dos humanos, das aves de rapina e, inclusive, de seus semelhantes. Ninguém é confiável quando se trata de ratos. Por isso, eles desenvolveram os sentidos ao extremo.
A exterminação desses roedores é impossível dada a sua competência em criar linhas de fuga eficazes. As tocas dos ratos são de uma engenharia supreendente. Os arquitetos têm muito a aprender com as construções subterrâneas dos ratos. Talvez a força de um rato possa ser medida a partir de sua capacidade em lidar com o indefinido. As condições de vida de um rato faz dele mesmo um centro de possibilidades. Uma vida cercada de impossíveis, torna o impossível um caminho de “condições de possibilidades”.
Os ratos vivem o tempo todo no limite do que podem. As condições em que se encontram lançados, em um mundo de indefinições e incertezas, fazem com que experimentem alternativas e saídas inusitadas. Eles são temíveis pela sua força e capacidade de sobrevivência. O único acordo com o mundo exterior se encontra nos laboratórios de pesquisa, mesmo ali, é uma espécie branca que serve de cobaia. Fora isso, não há acordo com ratos e o mundo exterior.
Os ratos são odiados por todos os lados, o mundo exterior e o seu próprio mundo são inimigos virtuais que se atualizam inesperadamente. Os ratos não têm lar, eles vivem de passagens, são eternos estrangeiros. Não há relação de dentro e fora para eles, mesmo quando dentro, se sentem expostos, eles são out siders. Com uma cidadania negada, ratos se vêem em um eterno des-território. Qualquer ataque aos ratos, mesmo em uma ninhada de filhotes, tem a legitimação moral da sociedade que o detesta e deseja livrar-se deles. São moralmente neutralizados, não têm ninguém por eles. Entretanto, os ratos nos deixam uma lição: como pode um animalzinho esquecido por Deus e odiado pelos homens de toda aTerra, manter-se numerosamente em crescimento? Ter sobrevido às secas, dilúvios e guerras de toda espécie? Os ratos são modelo de resistência, muito superiores a todos os animais que se encontram em extinção. Há essa lição a aprender com eles, uma política de resitência. A velocidade nos ataques e nas fugas, o silêncio das espreitas, as trincheiras subterrâneas de múltiplas entradas e saídas, as camuflagens... são modelos de resistência das melhores guerrilhas. Eles são uma forma de vida que, como todas as demais, querem expandir, crescer e subir. Assim como os homens.
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ResponderExcluirTomo os ratos pela potência.
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ResponderExcluirSim, eles têm uma força malévola, um devir sombrio.
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