Amor



Platão diz pela boca de Sócrates, pelo lado humano, que o amor é por natureza pedinte, faltoso, mendigo. Por outro lado, o amor tem características divinas: o amor é expediente, sagaz, é preenchimento e exuberância.
O amor é justo assim, quando os amantes estão apaixonados é como se se encontrassem (entheos) cheios de deuses, seria como se de nada tivessem falta. Quando cheios de amor (eros), os amantes não se dão conta da ressaca vindoura, muitas vezes, ela bate à porta antes do previsto. É que o nome desse amor, como todos os nomes, é uma representação arbitrária de um efeito de preenchimento químico. A emoção do amor resulta da afecção química da fenilatilamina. Ela tem duração curta, dura o seu próprio tempo podendo terminar subitamente.

Tanto o sentimento amoroso quanto a química que o causa são fenomenos dissimétricos: um dos amantes há de ficar na mais profunda penúria, pobreza, pedinte, como diria Platão. Quando o amor é falta e penúria é porque o amado não tem o objeto de seus desejos. E o amor é divino quando o amado tem quem o ame, quando a presença do objeto amado corresponde ao amor. Pensando na “roda de suplícios” de Schopenhauer, onde a vontade parece ser sinônimo de desejo ou, ainda, no caso do desejo da psicanálise em que este se encontra irredutivelmente ligado à falta de objeto, não haveria aqui um cheiro moral de submissão, do poder que quer enfraquec0er uma força chamada amor? Esses autores (Platão, Schopenhauer, Freud e Lacan) parecem fazer parte de uma longa tradição que submeteu o amor e o desejo a uma lei, à castração da falta. Talvez por isso, os poetas tenham que dizer sobre o amor: “Amar é sofrer”.

Comentários

  1. Profundo! é por isso que sofro.

    ResponderExcluir
  2. Humm...E esse pensamento adotado por "Platão, Schopenhauer, Freud e Lacan" concluem pela "castração da falta", e talvez pelo tratamento dessa patologia, ainda vem persuadindo os filosofos da atualidade?

    ResponderExcluir
  3. O amor é o afeto que mais instigou o pensamento humano ao longo dos séculos. Grandes mitologias e religiões discutiram de maneira bastante profunda.na filosofia também vários se dobraram na questão do amor .. na arte ele é onipresente...na circuitaria do cérebro apaixonado, no coração, no sistema digestório, perda do sono, do apetite e como deseja quando se ama.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Reversão... II

O cristianismo seria grego?

As sínteses II