Paradoxo
O
paradoxo reside na realidade. A leveza do mar que desagua na areia, mas que
arrasta vidas ferozmente. Após um tsunami o mar se assemelha a uma criança
inocente brincando de rolar conchinhas na areia. A vida é inocente e cruel ao mesmo tempo.
A
suavidade do flanar das garças contra o peso dos ventos que pode arrancar grandes estruturas.
A fragilidade das pequeninas vidas na areia da praia contra as ondas que as
trazem e as levam continuamente. O sol que queima e que também cura.
A
água salgada impossível de ser bebida, mas povoada de miríades de vidas que nela
se saciam. A imensidão dos oceanos como a soma de infinitas gotas d’água.
O
macro no micro e o seu contrário numa unidade inseparável. O movimento das
águas, dos rios ou dos mares, dos mesmos rios, dos mesmos mares, nunca são os
mesmos rios e mares que se movimentam.
O
homem que caminha no amanhecer sobre as marolas espumantes das ondas que morrem
na areia, nunca é o mesmo homem. O amor, é mortal e imortal, quem diria? Continuamente o amor está vivo e morrendo. O desejo é causa de tudo, causa da vida e causa da morte.
O
dia e a noite, o frio e o calor, o peso e a leveza, a luz e a escuridão, o amor
e o ódio. Tudo se encontra tão distante e tão próximo. O paradoxo é a união dos
contrários. A realidade é paradoxal.
ps. na beira do mar no entardecer de um verão - Rio das Ostras
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