Esperança


Diz a mitologia grega que, quando a caixa de pandora foi aberta, saíram de dentro dela todos os males que afligem a humanidade, as doenças com suas dores e a morte. Tudo o que apavora o homem foi solto de uma só vez.

Esse mito é muito semelhante ao mito bíblico do Éden. Tudo tem seu inicio num ato de desobediência. A caixa de pandora não podia ser aberta, assim com o fruto da árvore da ciência do bem e do mal, não deveria ser experimentado.

Nos dois casos, foi justamente o que aconteceu. A caixa de pandora foi aberta e Adão e Eva foram seduzidos pela serpente.  

Ninguém deveria fundar credos a partir dessas estórias. Elas estão aí para explicar “os começos”. Não deveriam ser tomadas literalmente como verdades. Todas as culturas têm as suas. Não significa que as coisas tenham sido assim. Como ninguém pôde estar lá quando aconteceu, inventa-se uma estória para dar sentido às coisas que sempre estiveram conosco.

A diferença entre esses mitos é o que se faz com eles.  No caso do Éden, o ocidente cristão toma como verdade absoluta e literal.

Já os gregos, tomam a caixa de pandora como um mito mesmo. O comum nos dois casos é a consequência, a origem dos males do mundo após um ato de transgressão, ou seja: o ato de abrir a caixa e o ato de comer o fruto proibido.

O que pode não ser notado pelo leitor apressado, é o fato da transgressão das normas ser comum nos dois casos. Tanto na bíblia judaica-cristã, quanto na mitologia grega, o comum são as transgressões. Para haver transgressão basta haver uma norma.

E, por outro lado, os dois mitos tentam explicar o surgimento da esperança. A desgraça sai da caixa de pandora. Apenas uma coisa ficou escondida lá, a esperança. A mesma coisa se dá em relação ao paraíso perdido. O ocidente cristão espera a volta do paraíso. O que fica sub-entendido é a esperança da redenção.

Para os gregos, mais uma vez, existe uma forma diferente de percepção. A esperança não é uma boa coisa. Quem espera deseja em vão controlar o futuro. E pior ainda, quem espera vive sem gozar. Sugerimos trocar a esperança pela confiança em si mesmo.

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