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Diário de classe: para entender o fosso abissal do ensino médio no Brasil. A Constituição de 24 de fevereiro de 1891 criou a escola do "povo" e as escolas seletivas (Pedro II). A primeira se destinava ao ensino elementar que não levava ao ensino secundário, nem, muito menos à universidade. A segunda, foi criada para preparar para a universidade e ensino das humanidades - ciências, artes e letras - Dessa forma, a história de nossa educação confirma: filhos de pedreiros, carpinteiros, agricultores... não precisam estudar, pois, têm que trabalhar (Clécio Branco - aula de sociologia).

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Diário de classe: quando um governo decide criar leis que levem o "povo" à universidade, estranhamente é a mesma elite de 1891 que reage contra, mas de forma velada - num suposto discurso político que quer se justificar como medida discriminatória o fato desse acesso ser feito por lei - o fosso que separa o chamdo povo, da universidade, não pode ser atribuído ao ensino médio atual, fraco e debilitado como o é, mas aos fatos históricos que constituem a divisão de classes desde a exclusão da segmentarização das escolas em classes superiores e inferiores (Clécio Branco - aula de sociologia).

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Diário de classe: a seleção é óbvia em cada etapada de escolarização no Brasil. Se os filhos dos trabalhadores não tinham acesso às boas escolas, a aprovação ao "madureza" e ao ingresso nas universidades ficaria assim garantida aos filhos da elite que frequentavam as escolas que para eles foram destinadas. A elite aliada ao poder público fazem um pacto cínico e sombrio que não pode ser visivel à maior parte da população. Ao dizer que o ingresso às universidades é justo, democraticamente por seleção de provas, o cinismo esconde a origem de cada indivíduo em relação à escola que pôde frequentar (Clécio Branco - aula de sociologia).

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Diário de classe: para entender o fracasso da escola do povo: O ginásio era, assim, “um curso de caráter aristocrático, profundamente seletivo” e predominantemente masculino: os pobres e as mulheres raramente tinham acesso a esse tipo de ensino (ANTUNHA, 1976)" - Clécio Branco - aula de sociologia-      

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Diário de classe: para entender a divisão de classes sociais no Brasil: até 1931 o ensino se dividia entre, a formação do ensino secundário, que preparava para a universidade - sem esse diploma ningém entrava na universidade - e os cursos de formação profissonal que preparava para o trabalho. O primeiro só era possível através de seleção. E os cursos de formação, se destinavam aos que não tinham preparo para ingressarem no curso secundário com objetivo à universidade. Vejam que na taxionomia da formação, um degrau condicionava ao outro e determinava o rumo histórico de duas classes distintas (Clécio Branco - aula de sociologia).

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Diário de classe: para entender a divisão de classes sociais no Brasil: até 1931 o ensino se dividia entre, a formação do ensino secundário, que preparava para a universidade - sem esse diploma ningém entrava na universidade - e os cursos de formação profissonal que preparava para o trabalho. O primeiro só era possível através de seleção. E os cursos de formação, se destinavam aos que não tinham preparo para ingressarem no curso secundário com objetivo à universidade. Vejam que na taxionomia da formação, um degrau condicionava ao outro e determinava o rumo histórico de duas classes distintas (Clécio Branco - aula de sociologia).

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Diário de classe: entendendo as condições históricas da segregação social no Brasil: Um levantamento realizado pela Divisão do Ensino Secundário em 1939 mostrava que, dos 629 estabelecimentos existentes em todo o país, 530 eram particulares. Quase um terço dessas escolas encontrava-se no Estado de São Paulo ... (196), que também possuía quase a metade das escolas públicas do país (43 das 99), constituída por uma grande rede estadual de ginásio e escolas normais (SCHWARTZMAN et al., 1984, p. 190). Os filhos dos tabalhadores não teriam acesso às escolas particulares de ensino médio, por um lado. E por outro, também não teriam acesso ao ensino médio das escolas públicas por serem seletivas. Ou seja, sobrava a opção aos filhos dos trabalhadores continuarem sendo trabalhadores e, aos filhos das elites seguirem na formação exclusiva de cargos de mando (Clécio Branco - aula de sociologia). Ps. adoro ser professor de sociologia.