Imagens e afetos da vida inspiração da filosofia de Gilles Deleuze e Félix Guattari.
Maquinismo
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Não há como tornar o mecanismo da máquina técnica em maquinismo orgânico - o primeiro depende de organizações transcendentes; o segundo é imanente a suas infinitas conexões internas (Branco - no café).
Não costumamos pensar no fato de que ao escolhermos estar em um lugar, ao mesmo tempo, não estaremos em tantos outros. Isso porque não podemos estar em dois lugares no mesmo instante. Perdemos sempre quando escolhemos, sem ter a certeza de que a escolha que assumimos seja a melhor. A princípio, nenhuma escolha é boa. Por isso, viver é um lance de dados. E o bom jogador é o que lança o dado sem desejar o controle do resultado do jogo. Apenas lançamos o dado e assumimos o jogo sem lamentar o resultado. A vida é para ser afirmada, tal qual ela se apresenta. Em cada lance uma infinidade de possibilidades se abre, mas também infinitas outras se fecham. Se a vida pode ser comparada a lances de dados, então, há de se saber, de início, que o dado tem seis lados, mas é apenas um dos lados que se faz resultado ao ser lançado. Perdemos cinco possibilidades para recebermos, ao acaso, uma única para ser afirmada. O sentido da vida não nos é dado. É preciso produzir sentido para continuar vi...
A ideia do livre arbítrio – ou crença – só prova que nossa liberdade é somente para termos tais ideias. Mas não somos livres da vontade que nos faz ter ideias e crenças. A vontade não é livre no homem. E ela não é causada a não ser por outra vontade de vontade. Sempre que o indivíduo sentiu, pensou e agiu, alguma coisa sendo a causa dessa cadeia de efeitos já ocorreu nele sem a permissão que a liberdade daria. A vontade é da ordem anterior aos fenômenos que aparecem no corpo, mas bem após o impulso da vontade. Temos consciência de que essas coisas acontecem em nós, mas não sabemos nada a respeito da causa primeira que se remete a outra causa até ao infinito. O fato do homem se dizer livre é prova de sua ignorância dessa causa que antecede aos efeitos. Desconhecemos as causas da vontade, apenas sabemos que temos vontade e, que essa vontade move nossos órgãos e nosso corpo em busca das coisas que dizemos desejar. Podemos optar entre uma coisa e outra, mas não podemos...
Imagine uma pessoa que não pode esquecer, uma pessoa cuja memória está sempre presente embotando a consciência. Tal pessoa não consegue digerir as lembranças que se presentificam na consciência. A memória é um reservatório de experiências, enquanto que a consciência é “lugar” de encontro de forças ativas/reativas, forças que agem e forças que reagem aos estímulos. São encontros de forças que fazem da consciência um aparelho voltado para fora, para o ambiente vivido. Toda vez que uma força age sobre outra força, essa última reage obrigando o pensamento a pensar. Na verdade, o jogo de forças que se trava na consciência deveria causar uma violência que obrigasse a fazer o pensamento funcionar, mas não é sempre assim que sucede. O pensamento não é natural, pensar exige esforço e abnegação. Vivemos em um tempo onde os pensadores são cada vez mais raros. Pensa-se que pensa e é possível que a grandiosa massa de indivíduos venha a morrer sem nunca pensar. Se a educação prima pela memória, pe...
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