Desejo
Para pensarmos o desejo relacionado a objeto, faz-se necessário uma
breve consideração sobre o que se passa na cena de O Banquete. Ao
visitarmos esse texto, damo-nos conta de que ele foi produzido há 2500 anos. Entretanto, falar sobre O Banquete é abordar uma situação ou um problema de
hoje. Não estamos nos referindo a uma história ou a uma investigação
arqueológica: O Banquete de Platão nos fala de uma questão atual ou, pelo
menos, podemos dizer que há algo de atual nesse diálogo.
O que se passa na cena de O Banquete é o seguinte: há um jantar
comemorativo na casa de um poeta (Agátão) que acaba de ganhar um prêmio
num concurso de tragédia. Nesse jantar comemorativo, decidem, ali mesmo,
instituir um novo concurso, Não é mais um concurso de tragédias, mas um
concurso de oratória, cujo tema central deveria ser o amor; cada um deveria
discorrer sobre ele, e o mais belo discurso seria o vencedor. Os discursos são
em número de sete, mas vamos refletir apenas sobre dois dos sete. São os
mais significativos para este trabalho, a saber, o discurso de Aristófanes e o
outro de Agátão com Sócrates.
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