Intercessores

Não se trata apenas do encontro inter-pessoas, mas de um encontro de ideias, de movimentos, de acontecimentos. Desde que saibamos vê-los, desde que com eles nos conectemos, desde em que neles nos impliquemos. 

Tais encontros são como um devir, devir vespa-orquídea, no qual cada um encontra o outro ainda que cada um não tenha nada a ver com o outro. É o encontro da diferença que produz um algo entre os dois. Não é o encontro em que um se torna o outro, é o encontro que introduz um entre-dois, é uma novidade, uma nova possibilidade de vida: no trabalho, na família, na escola, na religião, na rua, em qualquer lugar. 

Não é cópia de modelo pronto, não é assimilação de um pelo outro, não é interpessoal, é uma mistura em que um rouba o outro e o roubo não é plágio nem cópia: roubar uma potência não é copiar nem de plagiar. Trata-se de se deixar afetar por uma potência que se encontra no pensamento do outro. Assim como Deleuze e Guattari que se roubaram o tempo todo, mas não deixaram sinais de plágio ou cópia. Essa captura, esse encontro entre dois, é sempre uma dupla captura, o roubo é um duplo roubo, e as núpcias são sempre fora e entre. 

Diz Deleuze: “a justiça e a justeza de ideias são coisas ruins, não são ideias muito boas, tanto faz se aparecem num filme, num livro, numa música ou numa obra de arte, nada de justeza, apenas ideias”. Assim sendo, que produzam o encontro, o devir, o entre-dois, o roubo, as núpcias: esse entre-dois das solidões, que já não é de ninguém, mas está entre todos. “Não se deve procurar se uma ideia é justa ou verdadeira. Seria preciso procurar uma ideia bem diferente, em outra parte, em outro domínio, tal que, entre os dois, alguma coisa se passe, que não está nem em um nem em outro” . 

Esse é o sentido do agenciamento, buscar em outros planos, outros saberes uma ideia que complemente uma outra: rizoma da Botânica, linhas e mapas da Geografia, entre outros. “Ora, geralmente, não se encontra essa outra ideia sozinho, é preciso um acaso, ou que alguém a dê a você. Não é preciso ser sábio, saber ou conhecer determinado domínio, mas aprender isso ou aquilo em domínios bem diferentes” .

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