Desejo
O conceito de desejo tem uma longa e importante tradição histórica no
Ocidente e está dividida em duas versões principais. A primeira estaria ligada
ao modelo platônico e que, mesmo na atual leitura psicanalítica, não perdeu a
sua tendência de se reportar à insuficiência da falta. E, para rediscutir a teoria
do desejo, não poderíamos deixar de fora a versão que vem sendo tecida por
Deleuze/ Guattari, que se encontra desde Espinosa, e que, em nossos dias, é
o tema do Anti-Édipo. Essa importância é, sobretudo, ética, porque a imagem
de desejo, dependendo em qual se assume, contém implícita ou
explicitamente, valores que tendem a conduzir a existência de um modo
criativo e afirmativo ou de uma forma moral e sedentária. O Anti-Édipo
apresenta o conceito de desejo no entrelaçamento com a própria produção da
realidade e é por isso que só pode ser entendido a partir dessa exterioridade
que se faz presente nos acontecimentos da sociedade. Rever essas
concepções do desejo implica também em rediscutir a teoria do inconsciente, e
é esse o trabalho do Anti-Édipo: o desejo é máquina e o inconsciente é
maquínico.
Comentários
Postar um comentário