Identidade III

Seguindo os passos da antropologia clássica de Freyre, pareceria não haver conflito racial no Brasil, na verdade não se tem tantas notícias de levantes dessa ordem, a questão Dos Palmares – Zumbi – pode ser considerada como se fosse um escravo rebelde apenas. Para Freyre “não existia “problema racial no Brasil” (Florestan, 2006, p. 15).

Se pela perspectiva da busca de uma identidade brasileira, na construção da identidade do povo brasileiro não se via o conflito racial, pela análise crítica de Florestan, o processo de “branqueamento” da raça negra era o modelo de harmonização da mestiçagem brasileira. As análises não consideravam “o processo de exclusão existente no país; mais evidente a partir de uma nova ordem social capitalista e competitiva” (Id., p. 15).

Não havia, segundo a antropologia, conflito racial no Brasil. O consenso só seria possível sem uma análise apurada da divisão de classe que considerasse a distribuição de renda e de oportunidades. O “mulatismo” de Freyre, em relação à cultura brasileira e a sua ausência de conflitos, tinha como objetivo “confirmar a existência de um verdadeiro paraíso de um verdadeiro paraíso racial” (Id).

 Na verdade, essa teoria não passava de um modelo que encobria e exclusão que seria criticada duramente pelos sociólogos marxistas ao longo do século XX. Seria o caso de se perguntar, “a ausência de tensões abertas e conflitos permanentes é, em si mesma, índice de boa organização das relações raciais?” (Id, p. 18). Seria isso que a tese quereria provar?

O resultado da tese é que se “confunde a miscigenação com a ausência de estratificação”. Ou que, de outra forma, não existe conflito racial porque cada indivíduo ocupa devidamente o seu lugar na escala social e não existe conflito em relação a isso também. Daí a ideia do “branqueamento” ou do “mulatismo” como forma de ascensão na escala social – “racismo dissimulado”.


Nossa intenção é de fazer uma crítica ao conceito de identidade cultural a partir de fora. A definição intelectual que tenta decalquear a sociedade e que mascara a verdadeira identidade não serve como referência válida para a identidade nacional. 

A descontinuidade entre as duas ordens – Brasil escravocrata colonial e Brasil República deverá mostrar que a ideia de uma democracia racial não passa de uma ideologia que tenta arrumar de baixo do tapete a discriminação racial que se revela na distribuição de renda desigual. Na há como combinar a sociedade escravocrata com a sociedade de livre iniciativa capitalista sem que se revelem as contradições selvagens como aparecem na abolição. 

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