Identidade - I
Identidade - um conceito complexo
Temos
duas formas, no mínimo, de pensar as identidades. Antes,
porém, como podemos definir
a identidade? O que definiria a identidade? Na situação em que estamos pensando
é mais do que ter um nome, altura, cor da pele ou algo ligado ao temperamento.
Aqui se pensa numa identidade pessoal que facilitaria encontrar tal pessoa no
tempo e no espaço.
Não
é esse o caso que queremos pensar aqui. Queremos focar as identidades sociais,
o que caracteriza um determinado grupo social, uma sociedade inteira. Uma das
formas em que se definem tais identidades se encontra na cabeça dos
intelectuais, na mentalidade antropológica e sociológica da elite considerada
intelectual de uma sociedade.
Por
esse caminho, uma vez definida a Identidade – antropologicamente - depois de
cair no imaginário e se tornar senso comum, fica difícil desconstruir a noção
estabelecida. Podemos tomar como exemplo o conceito de identidade brasileira
advinda em grande parte de Gilberto Freyre (Casa
Grande e Senzala) onde segundo Florestan Fernandes (O negro no mundo dos brancos), o autor traça um modelo identitário para
a sociedade brasileira. “Era o cruzamento das raças que passava a singularizar
a nação, nesse processo que fazia que a miscigenação surgisse como sinônimo de
tolerância e hábitos sexuais da intimidade se transforma-se em modelo de
sociabilidade” (Fernandes, 2006, p. 13).
A
análise parte da percepção de Freyre sobre a vida privada de algumas famílias da
elite nordestina, terreno de onde o sociólogo teria concluído o seu mito da “democracia
racial”. A identidade brasileira se define para Freyre como uma sociedade cujo
modelo identitárias se encontra na categoria de “sociedade multirracial”, o
Brasil é um “cadinho das raças” um “laboratório de miscigenação”. O autor
consegue fazer uma versão otimista da mistura das três raças, a indígena, a europeia
e a negra.
Ou
seja, o fato do europeu colonizador ter se misturado sexualmente com as duas
raças colonizadas geraria uma nova identidade “miscigenada”. O que provaria certa
sociabilidade do povo que dela surgiria – a nação brasileira. Nesse caso, o
povo brasileiro se tornaria um povo amável, cortes, afetuoso e não violento. Pronto,
está traçado o perfil identitário da sociedade brasileira. A nação brasileira é
uma sociedade onde tudo se resolveria no futebol e no samba.
Esse
modo de se definir a identidade segue o paradigma cientifico do sujeito e do
objeto. O antropólogo é o sujeito e os indivíduos são tomados por objeto de
análise. Portanto, é uma definição arbitrária que não leva em conta as origens
e a diversidade cultural dos indivíduos em questão.
Ps.
Continuaremos.
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