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Massa

No mundo tecnológico, somos aquilo que a comunicação de massa nos convida a ser. Corpo e alma (mente) são plásticos em relação à indústria de massa. O formigueiro humano é um grande rebanho indiferenciado. As massas atuais nunca se comparam às massas revoltas dos séculos (XVII - XIX). O que existe hoje é uma juventude mimada, uma burguesia mimada. A juventude de outrora, revolucionária, se encontra ocupada em clicar curtidas na menina mais "gostosa", vazia de mais, oca e iletrada de mais - mesmo a que frequenta escolas burguesas - A indústria do espetáculo dominou as massas mimando o ego que nunca quis ser contrariado (Branco - café).

Massas

As revoluções tecnológicas que não param de acontecer, criam esse novo homem autômato sem que ele mesmo o saiba. Em tempos de psicologismos, pensávamos numa definição de auto-estima baseada em fatores intra-psíquicos. Era preciso muita análise para que um sujeito se percebesse em seus valores. Nos dias atuais, as adolescentes carregam o fardo de ter que se postar libidinalmente para o público seguidor, suplicar "curtidas e comentários", para que a alma gratificada possa viver mais um dia de auto-estima ilusória. Estão todos vazios e precisam preencher a alma com o vácuo fugaz e furtivo da quantidade fluída de "amigos" que evaporam continuamente - como bem profetizou o velho Marx: "tudo que é sólido se desmancha no ar" (Branco - no café).

Massa

Tenho uma desconfiança sobre a indústria de massa - tenho todas - penso que tal produção de subjetividade quer nos levar ao nível animal mais rasteiro. Ou seja, aquele em que se esquece absolutamente - biologicamente - tudo o que se viveu no dia anterior. Se não for esse o objetivo, um outro não menos devastador, seria o de não lembrar de nada que constitui um humano que pensa - é o que percebemos no formigueiro humano. Ele anda como autômatos, sob o controle do trabalho miserável, das infindáveis contas a serem pagas e do uso robotizado do celular (Branco - no café).

Massas

Os três séculos de Revoluções europeias, marcadas pela razão cartesiana, não serviram além de mostrar suas contradições internas. Tudo faz crer -que a "razão" não pode ser prospectiva quando se trata de condições humanas - mesmo a França, centro das maiores revoluções, vive suas condições de des-razão quando se trata de migração, questões raciais, minorias, urbanização etc. Só podemos pensar metodicamente, quando usarmos a razão como instrumento de análise retrospectiva - a razão histórica, a sociológica, a antropológica - Desse modo, a solidão de um homem em sua cidade terá que ser levada em conta (Branco - no café).

Massas

Minha solidão pelas ruas do Rio de Janeiro - ou a solidão de Ortega Y Gasset - pelas ruas de Paris, não são registradas como problemas históricos, assim como os biólogos registram os problemas com os mosquitos que invadiram a cidade. Os problemas históricos deveriam ser analisados por dentro, o que incluiria esse fato da população ter se transformado em massa-humana, onde todos são solitários no meio da massa (Branco - no café).

Massas

Andando pelos ruas no centro do Rio de Janeiro, no meio do formigueiro humano, em busca de alguém para conversar sobre os grandes temas da cidade; não encontro ninguém além das estátuas. A cidade se transformou em multidão-massa-humana sem diferenciação entre pessoas. Penso que devo iniciar uma conversa com as estátuas de mármore (Branco - no café).

Linhas

Não pensamos no fato de existir sobre nossas cabeças, milhares de "estradas" cruzando o espaço sem que possamos ver, ouvir ou sentir. São ondas de rádio, matéria física que levam e trazem comunicações para o mundo inteiro. Segredos de Estado, segredos privados de pessoas individuais, banalidades, futilidades do dia a dia. Mas também coisas sérias, pesquisas científicas, informações sigilosas, dados sobre a economia do mundo, informações sobre politica dos impérios (..). Nada acontece sem que não passe sobre nossas cabeças; mas não podemos imaginar como tudo acontece (Branco - em férias).