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Percepção

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Não há interpretação acima do psicológico, não há percepção acima do subjetivo, nem mesmo um pensamento simples pode escapar da trama psíquica. Toda fala humana que se refira a um "deus que disse"; a uma "suposta vontade de deus"; a tudo que se diz ser "revelação divina"; não passa de uma visão em perspectiva de uma mente presa a sua subjetividade - a vontade de deus é na verdade a vontade de um homem (Branco - no café).

Percepção

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Nesse caso, toda morte, todo sacrifício humano, todo julgamento de bruxa feito em nome de Deus; foi na verdade, em nome de um desejo puramente humano. Todo festival religioso de julgamentos e execuções não passam de crimes hediondos contra a humanidade - crimes que ninguém nunca pagou por eles, pois foram cometidos em nome de Deus - sendo esse uma perspectiva humana (Branco - no café).

Percepção

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Sobre a subjetividade, foi Bergson quem disse mais profundamente em "Matéria e Memória". Vou tentar dizer em minhas palavras: os objetos, as situações, os encontros que cercam o meu corpo, não são percebidos como se apresentam, mas como o meu corpo, depois de um longo trabalho subjetivo, vai me apresentar à consciência. Isso dede levar em contar a longa trajetória de minha história emocional que condiciona às imagens ao meu sistema de memória. Cabe aqui algumas perguntas, tudo que percebo na consciência é confiável? Nada é confiável? Existe algo de confiável quando se pensa em termos de verdade? (Branco - no café).

Percepção

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O sistema sensório-motor, junto com o psíquico, faz uma seleção de imagens no universo percebido - do que se deseja perceber, do que se pode perceber - e se percebe somente esse "objeto" retirado de um universo inteiro. Desse processo se pode pensar o sistema de verdade. O que é a verdade? O que é o justo? O que vem a ser o Bem e o Mal? (Branco - no café).

Libertinos

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Vou propor aos miseráveis algo maior do que a catarse do povo - das religiões ou de agrupamentos de servidão de rebanhos - proponho a vida libertina nos aposentos particulares onde a "voz do bom pastor" não lhes pode alcançar. Não se trata dos sintomas da compulsão de servir ao algoz. Proponho a busca do prazer, livre da culpa e do castigo - que o burgues guardou em segredo para ele. Que as mulheres e homens se libertem de seu limites de sua subjetividade para ir à desmesura da alma...lá onde ninguém se encontra para dizer "tu não deves". Que assumam o "tu podes" e que a única lei seja a sua em combinação sem mediação (Branco - no café).

Submissão voluntária

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A junção Freud e Sacher- Masoch ainda não foi devidamente explorada nesse plano político - penso eu. Assim como no texto de Deleuze, onde o carrasco usa a linguagem da manipulação, a desculpa que o "justifica e lhe dá a razão de ser", o discurso burgues da mídia que o representa, refina seu discurso em termos de inocência e boa vontade. O que faz pensar que há uma normalidade em tudo - burgueses de um lado e miseráveis de outro. Aos burgueses, uma vida de além do princípio de prazer. O ter mais nunca é o bastante. Aos miseráveis, cabe a histeria das massas: a religião, os estádios lotados, o carnaval, as aglomerações de povo onde se opera catarse (branco - no café).

Prazer restrito

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Aos poucos devo estar me distanciando da Sacher-Masoch, mas não me distancio do núcleo da questão. Ou seja, a civilização impõe um recalque de parte da pulsão impedindo que as massas atinjam o "além do princípio de prazer", caso fossem, a vida em sociedade seria impossível. Mas não se pensou o fato de que, numa sociedade burguesa, reservou-se esse privilégio a parte da sociedade - aos burgueses (Branco - no café).