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Ansiedade

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O tempo mudou em relação aos corpos? Não há menos tempo do que antes, nem um tempo mais rápido do que o de outrora. São os corpos que se movimentam mais rapidamente no mesmo tempo.Um corpo de hoje tem muito mais tarefa do que o corpo do começo do século XX - daí a ilusão de que a causa da velocidade seja o tempo. A mobilidade urbana aumenta a velocidade dos corpos dentro do espaço, mas na mesma quantidade de tempo. Multiplicamos nossas tarefas dentro do mesmo tempo (Clécio Branco - aula de filosofia).

Ansiedade

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Nessa nova realidade - pós-moderna - de relação espaço-tempo, tudo que se relaciona ao corpo é contingente. O corpo, os sentimentos, o amor, o trabalho, as relações, tudo entrou em estado de contingencia. Ou seja. não há mais longo prazo para nada. Dessa condição, nasceu um mal estar que a medicina acha ser necessário ser medicada. Não se trata de uma doença, mas de um efeito das relações dos corpos com a velocidade que se impôs. A ansiedade desse "tempo" se nutre da incapacidade de esticar o tempo em relação ao aumento de atividades que inventamos - sobre o mesmo corpo e no mesmo tempo (Clécio Branco - aula de filosofia).

Ansiedade

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Existe uma razão inconsciente para que a ansiedade continue existindo em nós - mesmo tendo sido criado sistemas filosóficos e/ou religiosos que prometem amparo e amor aos indivíduos. A razão é simples, as faculdades da mente não acreditam nos sistemas e nas promessas - apenas o Eu individual acredita, assim como acredita que, ele seja o ser mais lindo do universo. Nesse caso, surge outra forma de ansiedade, a de que essa crença venha ser contestada por outro narcisista (Clécio Branco - na clínica).

Amor

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Pensem no amor possessivo - se isso é amor - o amado quer ter, a todo custo o seu objeto de amor. Quanto desespero na mente de quem insiste em ter o que nunca pode ter. Se não temos o controle de nós mesmos, como pretender ter o domínio do sentimento do outro? Vivemos num mar de dores quando - em nossa ilusão infantil - acreditamos ter o amor do outro indefinidamente. Ou, pior ainda, quando se acredita ter o outro com seus pensamento que flutuam livremente ao sabor do desejo (Clécio Branco - na clínica).

Amor

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Ame hoje sem prometer nada a ninguém. Não faça do amor as correntes que oprimem e humilham duas pessoas. Não devemos esquecer que pessoas nunca poderão ser propriedade de outro. Não se emite escritura de posse de uma pessoa para outra. As histórias de amor terminam em tragédia porque nos iludimos com a fascinação de sermos donos do outro. O amor que nos cega, ao ponto de pensarmos ser propriedade um do outro, é a mesma coisa que nos oprime e nos humilha nas substâncias de uma droga alucinógena. Amemos livremente (Clécio Branco - no café).

Livraria

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Livrarias têm espírito, milhares deles. São miríades. Pensem nos autores e suas obras, não esqueçam dos co-autores, dos livros pesquisados, dos personagens literários, dos afetos de milhões que inspiraram. E ainda, não esquecer da formação de cada autor, dos professores que o formam, dos lugares, das viagens, das paisagens e dos leitores - milhões de milhões (Clécio Branco - no café da Livraria da Travessa).

Deus do possível...

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O Deus das coisas possíveis: um vento de foça considerável derruba e varre uma comunidade de baixa renda - casas em sua maioria sem fundação ou sustentação alguma - No meio da favela, uma igreja de fundação de concreto e ferro permanece firme em sua estrutura, assinada por engenheiros e arquitetos. Os membros daquela igreja, em euforia, dizem ter sido o amor de Deus por sua igreja que protegeu a mesma de cair. O que esse Deus tem contra os pobres? Ele deveria ser o Deus do impossível, não é verdade? Ou seja, o edifício foi feito para suportar os ventos da região. Mas os pobres, que não podem construir uma casa sob a supervisão de engenheiros, esses sim, dependem da proteção divina que não houve (Clécio Branco - breve reflexão sobre crenças).