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Ilusão

O ocidente, calcado em pilares do pensamento judaico-cristão, fundou a ética da irresponsabilidade para com a vida pessoal. Como isso ocorre? Sempre que se diz, "foi a vontade de Deus", "foi por Deus", "são os desígnios de Deus", é o "mistério de Deus" - etc... -. Dessa forma, esse ente chamado Deus fica sendo responsabilizado em cada acontecimento em que a infantilidade do homem - ou pela sua incapacidade de pensar soluções para os problemas de sua vida (Clécio Branco - no café).

Ilusão

Ficou como um dito popular, essa noção de "amor platônico" - quase um adjetivo que empresta qualidades ao afeto humano chamado amor.  Por que se diz assim, do amor de algumas pessoas, que marcadamente “amam de longe”? Elas estariam longe de quem, ou do quê? (Clécio Branco - no café).

Ilusão

A resposta vai mostrar o quanto nossa subjetividade resulta de um pensamento filosófico, mas sem sabermos. 1. Não é simplesmente o fato de se encontrar longe do objeto – pessoa que se ama platonicamente. 2. E não é da pessoa real que se está distante. É muito mais distante disso que se está. Vamos ver como funciona: (Clécio Branco - no café).

Ilusão

Uma pessoa de nossa cultura, homem ou mulher, se encanta por alguém. Por razões morais e, por suas crenças mais subjetivas, ela não se aproxima do objeto amado imediatamente. Entretanto, é impossível não imaginar como seria maravilhoso ter essa pessoa ao seu lado. Passa horas na cama, no trânsito, no trabalho imaginando como seria bom abraçar, beijar, fazer amor e viver juntos até ficarem velhinhos. Assim, pensando, sonhando, imaginando e “delirando” até, segue nesse secreto sentimento (Clécio Branco - no café).

Ilusão

Além de “sonhar” quase todo tempo, com o amado, essa pessoa pede a Deus que lhe dê sinais de sua vontade e aprovação para que o encontro fatal possa ocorrer com a segurança que a aprovação divina confere (Clécio Branco - no café).

Ilusão

Numa bela manhã de maio, num daqueles dias em que o sol aparece tímido entre nuvens, num típico veranico dessa fase do ano, aparece cantando entusiasmado, um raro canário. Além do mais, diante da varanda do apartamento, no mesmo local onde o canário cantou, se estende uma visão extraordinária da imensidão do mar azul (Clécio Branco - no café)

Ilusão

Naquele dia, em razão do corpo se encontrar preenchido de afetos de desejo, a experiência parece ser única. Tudo parece ser raro, e singularmente divino. Esse amante inconfesso vê em tudo isso – e não poderia ser diferente – a mão de Deus (Clécio Branco - no café).