Desejo
O desejo vinha sendo pensado sempre na linha de Sócrates, Platão, Schopenhauer, entre outros.
Em nossos dias, pela psicanálise, sempre atado a
uma carência, sempre fechado em torno de algo faltoso.
Se a vida é uma falta
em ser, sempre a partir dessa carência, o desejo é justamente essa falta.
Isso
implica a permanência da relação de um sujeito e de um objeto, em que o
desejo é pensado em relação ao objeto que, a partir do jogo da realidade, sempre terá que ser parcial e representativo, já que o objeto total está para
sempre perdido (a criança e a mãe na relação simbiótica, o mundo e as Ideias
em Platão, a imagem de Deus no judaísmo e o Éden do cristianismo).
Nessa
linha de pensamento, o sujeito do desejo não passa de uma representação do
absoluto, uma imagem desfigurada como aparece no cristianismo: o homem
na queda do Éden perdeu a semelhança com o criador.
A condição doentia
do homem passou a se conformar com aquilo que se considera normalidade. E
o que é o normal? Os doentes, os fracos.
O temor dos fracos não é justamente
a força dos fortes, o desejo, a potência da vida? O temor dos fracos é o mundo
cintilante das metamorfoses, mas o temor dos fortes deve ser exatamente os
fracos.
Nietzsche soube disso como ninguém: “os doentes são o maior perigo
para os sãos; não é dos mais fortes que vem o infortúnio dos fortes, e sim dos
mais fracos”.
Para Nietzsche, o que deveria ser temido é o “nojo ao homem;
e também a grande compaixão pelo homem”. Daí, segundo o pensador, adviria o grande perigo para a vida: “supondo que esses dois um dia se
casassem, inevitavelmente algo de monstruoso viria ao mundo, a “última
vontade” do homem, sua vontade do nada, o niilismo. (...) Os doentes são o
grande perigo do homem: não os maus, não os “animais de rapina”.
Comentários
Postar um comentário