Por essas razões sem razão encontramos um número cada vez maior de pessoas se perguntando: Quem sou eu? O que quero eu? Para onde estou indo? O que estou sentindo? O Eu se desterritorializa continuamente na avalanche fluida do consumismo, mas nunca atinge o estatuto de não-eu, muito ao contrário, o Eu se fragmenta em mulplicidades de eus.
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Pausa...
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O que caracteriza nosso tempo é o fim dos fundamentos. Os gonzos das portas do tempo se perderam, estamos lançados no afundamento. A razão entrou em crise e junto a essa crise as identidades se vaporizam. A pós modernidade é pós metafísica, os portais do tempo se abriram em incertezas, não é pior nem melhor do que os tempos dos fundamentos, trata-se de um novo tempo de um paradigma em devir.
Identidade – VII
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Quando a identidade está definida, o indivíduo se encontra delimitado socialmente e psicologicamente dentro do enquadre definido pelo dominador que diz: “você é isso e não aquilo”, “você é o que estamos dizendo e nunca o que pensa que é”. Se existe alguma raiva no homem negro e no pobre por razões obvias, essa raiva se transformará em tensão. A agressividade é obvia, pois se encontra reprimida pelo processo de racionalização que constitui a sua identidade. Ele acredita ser pobre por causa de sua condição racial. Pelo menos é o que a ideologia constrói com sucesso enquanto sistema de crenças. O que o “homem de cor negra é levado” a reprimir? A sua natural agressividade pela sua condição de discriminado. O seu passado histórico é violento. O negro foi retirado de sua pátria, de sua família, de seu sistema de valores de forma violenta e submetido às condições deploráveis de escravidão. Era um homem mercadoria, vendido e usado como uma peça qualquer. Tal condição só pod...
Identidade – VI
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No caso individual seria como a criação de uma baixa auto-estima que leva uma pessoa a se entregar ao abandono de si mesmo. O indivíduo não consegue se perceber com seus valores e passa a ter como norma de julgamento de si um padrão interiorizado que não lhe pertence, mas que passa a julga-lo negativamente. A psicanálise criou o conceito de mecanismo de defesa chamado de, “formação reativa”, que atua nesse caso individual e no social. Em situação de discriminação de raça, o indivíduo vitima da discriminação passa a interagir com o outro que discrimina para confirmar o ato discriminatório. O mecanismo de defesa faz com que a pessoa ou grupo social passe a “preservar, difundir e fortalecer formações reativas de natureza desmoralizadora – todas as formas de preconceito e de discriminação raciais se vinculam, funcionalmente, à defesa da ordem social em que emergem socialmente” (Id.). O poder atinge seu ápice de dominação quando a condição de subjetivação atinge a ordem psíquica e ...
Identidade – V
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Para se concluir o processo identitário é preciso ir mais fundo na alma humana para criar condições mentais favoráveis ao comportamento de conformação às normas estabelecidas pela classe dominante. Félix Guattarri trabalha em Micropolítica: cartografias do desejo , com o conceito de subjetividade que é coextensivo aos modos de produção de uma identidade, seja ela identidade de raça, cor ou condição social. Fazer o indivíduo pertencer a determinado grupo social e desmobilizar as forças de resistência que impediriam a sua conformação ao grupo majoritário. É o mesmo processo que cria condições latentes de pensar como o outro que deseja a dominação ao ponto de facilitar a dominação - interiorização do desejo do outro na forma de submissão pacifica. De outra maneira La Boetice denunciou o “porquê de milhares se submeterem a um”, são modos de subjetivação semelhantes que fazem um indivíduo que nasceu livre possa aceitar pacificamente a dominação de outro. ...