Botânica
As árvores são guardiães de nossas vidas. Não que seja esse seu propósito. Elas mesmas nem propósito têm.
Nós tomamos as sombras das árvores como se donos fôssemos.
Igualmente tomamos os seus frutos, o seu frescor, seu verdejar.
Tomamos as árvores como madeira. Elas, inocentes, seguram os ventos, colhem as chuvas, conservam a umidade, equilibram o oxigênio que respiramos.
Pintamos as árvores, mas é o nome dos pintores que se eternizam, são eles que se projetam como artistas. Elas ficam como meios, silentes, expostas, vulneráveis.
Os pássaros moram nas árvores, se aninham em longas discussões ao ocaso do sol.
Tantas vidas se encontram em árvores, umas se multiplicam: formigas, cupins, tantos insetos. Outras, vêm para uma estação, cantam, procriam e se vão sem despedida.
Delas se fez poemas, músicas, filmes. Seus troncos servem de tábuas de mensagens, de amores, ódios, paixões frias, corações apaixonados...
Por que cortamos esses indivíduos de longas vidas, de sentidos infindos, sem piedade ou reflexão?
Nem sabemos se elas choram, se deixam filhos órfãos além dos pássaros que perdem seus lares entre as folhagens ....
Sabemos pouco sobre as folhas, muito menos ainda sobre as árvores.
Dizemos muito sobre elas, mas esquecemos de ouvir o que elas teriam a nos dizer.
Parece que cada qual, na busca de sua sobrevivência acaba travando relações insanas e insalubres com árvores e tudo mais ao derredor... a exemplo das plantas epifitas e das raizes estranguladoras. Então num padrão 'dominai a terra e sujeitai toda criatura" poderia, minimamente estabelecer-se relações simbioticas...
ResponderExcluirA natureza faz rizomas, a árvore com o ar,com a água, coma terra, com as formigas, outras plantas fazem acoplamentos na árvore... conexões sem fim.
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