Caminho
Já foi dito em algum lugar, “caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar...”. As caminhadas e os caminhos são menos os espaços e os deslocamentos e mais a intensidade que se experimenta ao caminhar. Mesmo quando se trata dos grandes caminhos que vão de São Tiago de Compostela ao Caminho de Abraão. São longos trajetos, percorridos por grandes homens que emprestam seus nomes ao caminho. Caminhadas épicas onde o que importa não é tanto o trajeto percorrido, mas sim os acontecimentos que delas decorrem. Ninguém precisa se orgulhar de ter feito essa ou aquela caminhada, esse orgulho inútil já denuncia a futilidade da experiência.
Não faz nenhum sentido a apropriação da indústria do turismo em relação às “caminhadas sagradas”, o sagrado não é o caminho, e muito menos sagrado é o passeio entre esses caminhos percorridos. É possível que a maioria das pessoas não experimentem nada ao pisarem aquele chão de terra seca. Daí, a trajetória ser menos espiritual do que o acontecimento que possa suceder no caminho. Na caminhada de Jacó, tudo acontece, angústia, medo, luta, conflito e gozo. Jacó transmuta de enganador a vencedor (Israel). Com abraão não é diferente, ele vai de uma condição de covarde e mentiroso ao pai da fé. Todos eles experimentam uma intensidade que os eleva para além da condição do senso comum. Não será preciso grandes caminhas, de grandes homens, para que o humano possa modificar-se em algo melhor. As grandes caminhadas não são necessariamente de grandes trajetos, o que limitaria bastante a experiência de caminhar.
As caminhadas são singularidades pré-subjetivas que o caminhante se apropria como potência que o singulariza. Ninguém pode viver na passagem por Betesda a mesma experiência de Jacó. É a singularização de um homem que faz o caminho. Logo, ninguém mais pode fazer a caminhada de Abraão. Tudo que se pode é, mais ou menos, percorrer o caminho que ele percorreu. Mas a experiência que o transformou em homem de fé é única. Entra-se no mesmo caminho, mas o devir da caminhada é pré-subjetivo e pré-psíquica. Não existe referência possível que garanta a repetição da caminhada. Por isso, caminhante, não há caminho. A caminhada pode ser em qualquer lugar, mesmo em lugares menos reconhecidos, como é o caso do Sertão Nordestino do Brasil.
Fala-se muito pouco do caminho do Agreste pernambucano, de Caruaru à Petrolina. Trata-se de um caminho mais solitário, menos ruidoso e sem fama. Mas quem sabe, muito mais propício aos afetos além do humano, de uma sonoridade selvagem de puras sensações moleculares. Isso porque, tais caminhadas sem nome, ainda permanecem clandestinas, quase imperceptíveis. De qualquer maneira, a experiência de caminhar com o propósito de experimentar a vida profunda não pode se circunscrever a trajetórias já definidas. Elas pertencem aos caminhantes que lhes emprestam o nome. É preciso fazer uma outra, um outro sentido, uma outra sensibilidade e uma nova graça que marque a vida do caminhante. Ele passa e deixa para trás o caminho que é só seu, singularmente seu. Ainda que o caminho seja de curto trajeto, na cidade ou no campo. O que faz o caminho é o porvir do caminho, um porvir sempre em qualquer caminho. Há multidões que seguiram nas grandes caminhadas, não caminharam, apenas andaram onde grandes homens caminharam. Essa multidões voltaram do mesmo modo em que estavam antes. Caminhar é mais do que se deslocar no espaço, é percorrer linhas intensivas, visitar mundos sem precisar andar muito.
Não faz nenhum sentido a apropriação da indústria do turismo em relação às “caminhadas sagradas”, o sagrado não é o caminho, e muito menos sagrado é o passeio entre esses caminhos percorridos. É possível que a maioria das pessoas não experimentem nada ao pisarem aquele chão de terra seca. Daí, a trajetória ser menos espiritual do que o acontecimento que possa suceder no caminho. Na caminhada de Jacó, tudo acontece, angústia, medo, luta, conflito e gozo. Jacó transmuta de enganador a vencedor (Israel). Com abraão não é diferente, ele vai de uma condição de covarde e mentiroso ao pai da fé. Todos eles experimentam uma intensidade que os eleva para além da condição do senso comum. Não será preciso grandes caminhas, de grandes homens, para que o humano possa modificar-se em algo melhor. As grandes caminhadas não são necessariamente de grandes trajetos, o que limitaria bastante a experiência de caminhar.
As caminhadas são singularidades pré-subjetivas que o caminhante se apropria como potência que o singulariza. Ninguém pode viver na passagem por Betesda a mesma experiência de Jacó. É a singularização de um homem que faz o caminho. Logo, ninguém mais pode fazer a caminhada de Abraão. Tudo que se pode é, mais ou menos, percorrer o caminho que ele percorreu. Mas a experiência que o transformou em homem de fé é única. Entra-se no mesmo caminho, mas o devir da caminhada é pré-subjetivo e pré-psíquica. Não existe referência possível que garanta a repetição da caminhada. Por isso, caminhante, não há caminho. A caminhada pode ser em qualquer lugar, mesmo em lugares menos reconhecidos, como é o caso do Sertão Nordestino do Brasil.
Fala-se muito pouco do caminho do Agreste pernambucano, de Caruaru à Petrolina. Trata-se de um caminho mais solitário, menos ruidoso e sem fama. Mas quem sabe, muito mais propício aos afetos além do humano, de uma sonoridade selvagem de puras sensações moleculares. Isso porque, tais caminhadas sem nome, ainda permanecem clandestinas, quase imperceptíveis. De qualquer maneira, a experiência de caminhar com o propósito de experimentar a vida profunda não pode se circunscrever a trajetórias já definidas. Elas pertencem aos caminhantes que lhes emprestam o nome. É preciso fazer uma outra, um outro sentido, uma outra sensibilidade e uma nova graça que marque a vida do caminhante. Ele passa e deixa para trás o caminho que é só seu, singularmente seu. Ainda que o caminho seja de curto trajeto, na cidade ou no campo. O que faz o caminho é o porvir do caminho, um porvir sempre em qualquer caminho. Há multidões que seguiram nas grandes caminhadas, não caminharam, apenas andaram onde grandes homens caminharam. Essa multidões voltaram do mesmo modo em que estavam antes. Caminhar é mais do que se deslocar no espaço, é percorrer linhas intensivas, visitar mundos sem precisar andar muito.
Absolutamente sublime pela verdade contida e pelo que nos remonta a tracarmos nossos proprios rumos, nossos proprios caminhos. Oxala sejam tambem inspiradores e transformadores para nos, como foram as caminhadas destes que nos emprestaram suas historias para nos impulsionar a autenticidade para nossos caminhos!
ResponderExcluirGrato por comentar.
ResponderExcluir"É durante a caminhada que os milagres acontecem!" É o caminhante que ao caminhar imprime suas pegadas no caminho.
ResponderExcluirRoCorrea
Caminhando e cantando e seguindo a canção....
ResponderExcluirMonikinha.
É um duro diagnostico andar mais de 40 anos em círculos, tão inacreditável quanto recorrente... A sede é tanta que o maná amarga a boca... não há solução, já que só o caminhante pode caminhar seu caminho (redundância proposital) significativamente...excesso de futuro...
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