Dilema do pão
Hoje, pela primeira vez
neste ano, fui à padaria. Fui cedo para evitar o aglomerado de gente na borda
do balcão, pessoas ávidas por pães quentes. Tinha apenas uma senhora, mas ela
era o prenúncio das velhas coisas. Já havia visivelmente irritado a funcionária
que atendia ao balcão, e a mim também.
- Você tem desse, um
pouco mais claro? Perguntou apontando para um tipo de pão que é naturalmente escuro,
feito com açúcar mascavo.
- Se você tiver desse,
procure um menor, menos pesado, com menos massa. Continuou ela articulando sinônimos
e adjetivos sobre o mesmo pão. Não muito cozido, mas que não seja cru, nem de
casca grossa – Daí em diante, a dita senhora começou a contar uma história sobre
o tipo de pão que o marido gosta, mas dando características do formato, cor,
tonalidade, sabor aroma e outros atributos do pão em questão. A menina que
atende, já demonstrando impaciência do lado de lá, tentava em vão fazer a
mulher decidir sobre o pão.
Eu, já frustrado por
pensar que seria atendido rápido por buscar a padaria vazia e bem cedo, desisti
e saí pensando na frase existencialista: “o inferno é o outro”.
Assim vemos que não há nada
de novo no ano que começou ontem.
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