Eu
Quando se diz “Eu,” se diz
mais de um Outro do que de si mesmo. Isso por que, de uma forma fatal, é um
Outro que nomina o eu quando ele é a penas um corpo biológico. E o Outro que dá
o nome, que dá a fala aos sujeitos que nascem sem nome, sem fala e sem falo - diz
de seu desejo para esse eu passivo.
É o Outro que diz arbitráriamente: “você é
carlos, joão, maria; é lindo, linda!” e que dá sentido. É o olhar do Outro, a
vontade do Outro, o desejo do Outro que decidiu assim. Então, o Eu é uma
construção social sempre mediada pelo Outro.
Tudo bem, mas isso não basta. É
preciso descobrir nesse modo de produzir uma subjetividade as implicações éticas
para a vida desse sujeito que reside debaixo do Eu, que pensa saber tudo sobre
si mesmo.
A formação do Eu começa com um “eu te amo”, “tu és lindo (a)”, “tu és
a minha felicidade”, “a minha alegria”, etc. Há uma exterioridade que pesa
sobre a formação do Eu que funciona como força atratora das atenções dos outros.
A questão ética se encontra na bifurcação subjetivação-singularização.
Momento crucial em que se dá a primeira revolução de Eu consigo mesmo.
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