Pulsão de vida, pulsão de morte, para nós são adjetivos que conformam a natureza da pesquisa clínica: só existem pulsões. Vamos abandonar esse percurso para entrar no que pertence à filosofia propriamente. Ou, quando estivermos falando em linguagem que comporta conceitos da psicanálise, é porque a filosofia de Deleuze/Guattari está extraindo dela uma potência filosófica. Despedimo-nos dos dualismos, pulsão de vida e pulsão de morte, natureza e sociedade, Isso e eu, energia livre e energia ligada, processo primário e processo secundário, pulsões sexuais e pulsões do eu, entre outros. Quando nos referirmos a esses pares, estaremos fazendo sempre a partir das críticas que se encontram em O Anti-Édipo e Mil Platôs . Deleuze/Guattari advertem para o fato de que a separação homem/natureza e sociedade/natureza serve de base ao pensamento que afirma o homem como o rei da natureza. Portanto, o homem natural só se tornará viável se controlar a natureza em geral e sua própria natureza, em det...
Pode parecer ofensivo demais, sobre tudo para os (sin-ceros) cristãos. Dizer que o cristianismo é mais grego do que romano é um absurdo. Sim, o cristianismo não é judeu, nunca foi. Pegaram um judeu pra cristo , mas o cristianismo é grego. São Paulo faz muito mais um neo-platonismo e menos teologia. Desde sempre, ele é um filósofo genial. O Céu cristão é o mundo das Ideias de Platão. E todo "método da divisão" cabe por inteiro na divisão paulina da "realidade espiritual e da realidade terrestre". Pode-se atribuir a ele a maior de todas as reversões platônicas: ele deu corpo as Ideias, trouxe o mundo das essências às profundezas da caverna do mundo sensível e a aprofundou na alma humana. A maior árvore plantada no ocidente é são paulina – “o platonismo do povo”, diria Nietzsche com extrema lucidez. Não é só de São Paulo que se construiu o edifício cristão. O nascimento de um ente - nos evangelhos, o nascimento virginal - meio deus meio homem, é gre...
As sínteses podem ser inclusivas e exclusivas: as primeiras multiplicam, pois, enquanto conectiva, ela é a soma deste com aquele; enquanto disjuntiva, trata-se da coexistência de dois, não de sua mistura; bom exemplo é a relação entre a vespa e a orquídea, que inaugura um elemento nômade no entrerrelacional, “núpcias entre dois reinos distintos”. Esse é o ponto de chegada do elemento nômade ou anômalo: “Nem indivíduo, nem espécie, o que é o anômalo? É um fenômeno, mas um fenômeno de borda”, [1] uma relação de aliança. Síntese conjunta de intensidades e devires com infinitos estados estacionários por onde o sujeito passa: máquina celibatária de atração e repulsão. O tipo de produção é de “produção e consumo”. Aqui o sujeito se pergunta: “Então era isso, então sou eu?” – o sujeito nômade passa por todos os devires das disjunções inclusivas, torna-se outro sexo, deus, raça, imperadores. O “Eu”, ou a pretensa autarquia da consciência, nada mais é do que uma apropriação,...
Sutileza de percepção. ..reflexivo, um viajante nos domínios da mente.
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