Além do bem e do mal
É difícil pensar no fato de ser impossível
ao homem ter conhecimento do bem e do mal, devido ao simples fato de essas
noções não serem acessíveis à consciência sem que passem por esferas subjetivas
de valores do indivíduo. Logo, conceitos de bem e mal divergem de indivíduo
para indivíduo. E não apenas isso, mas os seus correspondentes, Deus e o Diabo,
também.
O indivíduo vai chamar ao que lhe agrada
de bom; e de mau ao que lhe causa dor, tristeza ou desconforto. Como cada
indivíduo difere em constituição psíquica, também se difere na percepção e
distinção do que seja bem e mal. Além disso, esse indivíduo deverá atribuir o
que lhe faz bem ao bem supremo de um bondoso Deus. E o que lhe faz mal, ao mal
supremo de um ente perverso, o Diabo. Dessa forma, é quase impossível que haja
um mal puro ou um bem igualmente puro.
O que dá prazer aos indivíduos ganha
rótulos de bem e de bom. Mas tudo não passa de uma moralidade egocêntrica, já
que os motivos de tal julgamento são o bem-estar individual; ou o seu contrário
para designar o mal. Essa lógica estaria na base de uma moralidade cristã
contemporânea.
Quando indivíduos, ditos cristão, se
reúnem para julgar alguém, o fazem por tais critérios morais, ou seja, julgam o
bem como vontade de Deus e o mal como expressão do oposto correspondente. É um
grupo de indivíduos que convenciona o bem e o mal a partir de seus afetos em
relação ao indivíduo julgado ou aos seus atos. Eles legitimam o julgamento a
partir dos valores que construíram em seus julgamentos subjetivos de bem e de
mal.
Na verdade, é o prazer de um ou de vários
que se encontra sob ameaça. O cristianismo contemporâneo é utilitarista do
ponto de vista filosófico mais refinado. Esse utilitarismo determina que a ação
moralmente correta é aquela cuja consequência afirma o bem-estar ou a
felicidade da maioria. Se uma ideia, ou ação, ameaça a felicidade da maioria,
então, será considerada oriunda do mal. Se, contrariamente, uma ideia, ou ação,
aumenta e afirma a felicidade da maioria, será vista como um bem.
Nesses casos, nunca se concebe um bem ou
um mal absolutamente, mas sempre relativamente ao julgamento e pensamento de um
grupo.
Olá Clécio,
ResponderExcluirOs tema bem e mal é muito interessante e intrigante, porque, como você falou, é muito difícil (para não dizer impossível) de ser conceituado).
Mas tenho uma dúvida, em relação ao que você mencionou sobre rótulos de bem e mal, que muitas vezes vem da moralidade egocêntrica de cada um.
Mas tendo em vista que a vida é e deve ser individual, não é correto que os conceitos de bem e mal também sejam individuais em detrimento de um pensamento coletivo?
Ou você quis dizer que o bem e o mal não devem ser conceituados?
A questão é que não existe Bem e Mal, mas sim Bom e Mau.... algo que aumenta a capacidade do corpo é Bom. E algo que diminui a capacidade do corpo é Mau. Sempre em relação ao corpo. A outra ideia é uma metafísica de moralidade. Do tipo "eixo do mal" para dividir o mundo entre bons e maus individuos para justificar uma ação política, etc. Ou, no caso de uma igreja, pessoas que discordam são consideradas pessoas do mal... e as "ovelhinhas obedientes" seriam as boas pessoas do bem....
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