Educação e transversalidade

 

Disciplina: Epistemologia e Investigação em Educação e Metodologia de Investigação Científica

Não é novidade pensar a transversalidade como método, pois tal abordagem já está presente na teoria da complexidade de Edgar Morin. Para o filósofo, o termo "complexus" deriva do latim e significa "tecido junto". Um sistema complexo não é fechado, mas entrelaçado, abrindo-se a novos laços. Pretendo aproximar a teoria da complexidade ao modelo do rizoma proposto por Deleuze e Guattari. Segundo Morin (2010), “é complexo o que não pode se resumir a uma lei, nem a uma ideia simples [...]. A complexidade é uma palavra-problema e não uma palavra-solução” (p. 5).

Semelhante ao rizoma, o sistema complexo também não se fecha, mas promove rupturas em detrimento de outros agenciamentos. O conceito do rizoma encontra-se no primeiro volume da obra Mil Platôs (Deleuze & Guattari, 1995). Trata-se de um mundo sem pivô, de constante multiplicidade. Atualmente, fala-se em um mundo V.U.C.A., um acrônimo que representa Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo. Karl Marx já havia afirmado, no contexto do capitalismo, que “tudo que é sólido se desmancha no ar”; por sua vez, Bauman descreveu essa mesma realidade como uma sociedade líquida. Em ambas as análises, há uma implicação da complexidade, com seus movimentos contínuos e incertos.

No entanto, a realidade V.U.C.A. deu lugar ao conceito de mundo B.A.N.I., que significa: BRITTLE (frágil), ANXIOUS (ansioso), NONLINEAR (não linear) e INCOMPREHENSIBLE (incompreensível). Esse novo cenário apresenta desafios ainda maiores para a compreensão e adaptação ao contexto atual.

A questão que se coloca para a educação, neste contexto, é a seguinte: como enfrentar a realidade de um mundo complexo com as velhas teorias pedagógicas? Como trabalhar a educação em tempos de (hiper)contextos e hipertextos, enquanto a escola permanece estagnada, confinada entre paredes, com professores ainda presos a suas “caixinhas” conteudistas? Como lidar com uma realidade que se transforma à velocidade das redes sociais?

Nossa proposta passa por pensar a educação a partir do nível da complexidade, buscando uma revisão bibliográfica que aproxime dois mundos: o da constante ruptura provocada pela revolução tecnológica e o da teoria da complexidade de Morin, com seu sistema de entrelaçamento, combinado à lógica do rizoma de Deleuze e Guattari.

Nos próximos textos, ampliarei a discussão em torno desses conceitos; por enquanto, fico com esta formulação parcial do problema.

Referências

Deleuze, G., & Guattari, F. (1995). Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia (Vol. 1). Editora 34.

Morin, E. (2010). Introdução ao pensamento complexo. Sulina.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Reversão... II

O cristianismo seria grego?

As sínteses II