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O BANQUETE

  O homem é frequentemente descrito como naturalmente religioso: busca o que vem do Alto, tem sede de Deus. Convencionou-se, nessa chave, identificar o psiquismo com essa inclinação. Vale lembrar, porém, que essa concepção é histórica; sua forma clássica nasce com os gregos. Para Platão, tal impulso não é um problema, mas um propulsor que eleva o homem à esfera inteligível, onde se contemplam as Ideias. Longe de inibir, isso estimula o filosofar: é pela filosofia que o pensador pode aspirar a uma estabilidade, inteireza, justeza e perenidade que a condição mortal lhe nega. A divisão do mundo, operada por Platão, instaura uma diferença de natureza entre dois planos. De um lado, há o plano divino das Ideias: o mundo ideal acima das estrelas, o reino das essências ou formas puramente inteligíveis, lugar dos modelos superiores. Trata-se de uma realidade verdadeira, que existe em si e permanece imutável, idêntica a si mesma, apreensível apenas pe...

Desejo e política

  O desejo de interagir com o mundo — por meio da cultura, da literatura, do afeto ou da sensualidade — parece, hoje, cada vez mais vigiado. Como se a própria vitalidade da vida, em sua pluralidade de expressões, fosse vista com desconfiança. Em meio à complexidade da existência, esse impulso criativo e transformador encontra obstáculos sutis, impostos por estruturas que buscam domesticar o desejo e restringir a liberdade de manifestação. Michel Foucault, se estivesse entre nós, talvez reconhecesse em nosso tempo a materialização mais intensa de sua ideia de “sociedade de controle”. Certas figuras públicas, investidas de autoridade institucional, ocupam posições estratégicas em áreas sensíveis — como educação e família — e, por meio de discursos normativos, reconfiguram os sentidos do desejo, da produção intelectual e da experiência afetiva. Em gestos simbólicos e políticas concretas, essas intervenções deslocam o desejo para o campo da moralidade, atribuindo-lhe significados que o...

La Modernidad Líquida en Bauman y Marx

La expresión "todo lo sólido se desvanece en el aire" está frecuentemente asociada a la idea de constante transformación y efemeridad en la modernidad. Bauman, en su teoría de la "modernidad líquida", explora cómo las relaciones sociales y las estructuras se vuelven cada vez más fluidas e inestables, en contraste con la "modernidad sólida" anterior, marcada por estructuras rígidas y duraderas. Marx, por su parte, señala la dinámica del capitalismo, donde el capital-dinero simboliza esa fluidez, transformando todo en mercancía, incluyendo el trabajo y los recursos humanos. La idea de que en la "Peste", metáfora para tiempos de crisis o opresión como la invasión fascista en Francia, la esencia de ese sistema se revela de manera más cruda. El fascinio por la mercancía y el consumo se convierte en un mecanismo de dominación y alienación, donde hasta nuestra identidad y valores son comercializados. ...

A Modernidade Líquida em Bauman e Marx

  A expressão "tudo o que é sólido se desmancha no ar" é frequentemente associada à ideia de constante transformação e efemeridade na modernidade. Bauman, em sua teoria da "modernidade líquida", explora como as relações sociais e estruturas se tornam cada vez mais fluidas e instáveis, em contraste com a "modernidade sólida" anterior, marcada por estruturas rígidas e duradouras. Marx, por sua vez, aponta para a dinâmica do capitalismo, onde o capital-dinheiro simboliza essa fluidez, transformando tudo em mercadoria, incluindo trabalho e recursos humanos. A ideia de que na "Peste", metáfora para tempos de crise ou opressão como a invasão fascista na França, a essência desse sistema se revela de forma mais crua. O fascínio pela mercadoria e pelo consumo se transforma em um mecanismo de dominação e alienação, onde até mesmo nossa identidade e valores são comercializados. Esta análise se a...

Violencia Neuronal según Byung-Chul Han

  El filósofo surcoreano Byung-Chul Han analiza el aumento de los fenómenos de enfermedades cerebrales como una consecuencia del modelo económico centrado en el rendimiento y el agotamiento. Han observa que muchas personas no están descansando bien en sus hogares, lo que las lleva a dormir en el subte, en los colectivos y a transitar el día en un estado de cansancio y somnolencia constante. El incremento en los diagnósticos de trastorno de ansiedad generalizada, trastorno por déficit de atención con hiperactividad (TDAH), síndrome de burnout y narcisismo son, según Han, características propias de nuestra época. Estos fenómenos están directamente relacionados con el uso excesivo de internet, la sobreexposición constante y las demandas incesantes de alto rendimiento. Además, los tiempos de cierre, los intervalos y las pausas están desapareciendo de nuestras rutinas laborales. El trabajo remoto o home office ha extendido la jornada laboral más allá de los espacios tradicionales, trans...

Violência Neuronal em Byung-Chul Han

O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han analisa o aumento dos fenômenos de adoecimento cerebral como resultado do modelo econômico centrado no desempenho e no cansaço. Ele observa que muitas pessoas não estão dormindo bem em suas casas, o que as leva a dormir no metrô, no ônibus e a caminhar ao longo do dia em um estado de cansaço e sonolência constante. O aumento nos diagnósticos de transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), síndrome de burnout e narcisismo são considerados por Han como marcas de nosso tempo. Esses fenômenos estão diretamente relacionados ao uso abusivo da internet, ao excesso de exposição e à exigência constante de alto desempenho. Além disso, tempos de término, intervalos e pausas estão sendo eliminados de nossas rotinas de trabalho. O regime de home office contribuiu para a expansão da jornada de trabalho muito além dos espaços laborais tradicionais, transformando o tempo destinado ao descanso e ao lazer em tempo d...

La vida.

 ¿Dónde está la vida? No nos referimos solo a los seres vivos, a los organismos, sino también a ellos. La vida está en todas partes, en dos sentidos: está la vida, casi indescifrable y poco reflexionada, tal vez profundamente por los filósofos, pero menos por los científicos, que dependen de un objeto verificable para sus investigaciones. Y está la vida de los organismos, sumergida en el océano de su fuente generadora: LA VIDA. Antes que nada, existe LA VIDA, asubjetiva, una singularidad, una vida pura, sin sujeto ni objeto, como expuso Gilles Deleuze en «Imanencia: una vida...». Un verdadero testamento filosófico, una especie de epígrafe de una vida, escrito por él antes de dejarnos. Los puntos suspensivos, en este caso, no indican una ausencia de palabras, sino la singularidad de la pura inmanencia de «una vida», indefinida tal cual, «sin sujeto, sin objeto». Es decir, esa vida, en la que se subsumen todas las formas de seres vivos, es la vida pura. Una vida en la que entramos, «...