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Esquizo

Os autores escolhidos, Kafka, Clastres ou Castañeda, são pensadores que captam essa potência, cada um a seu modo.  Um personagem como K., o agrimensor do Castelo, tem as características do esquizo ou da “criança cabeçuda” que não desiste nunca.  As sociedades da lógica contra o Estado são igualmente forças de resistência. Assim como Don Juan de Castañeda, que experimenta a potência e os devires da natureza.  A organização e o conjunto dos organismos formam estratos que são o sistema de juízo de Deus (Clécio Branco - pensando a esquizofrenia).

Esquizo...

O esquizofrênico é dotado da potência molecular que se desvencilha das coisas indo por entre elas. Ele não é necessariamente uma força bruta; pelo contrário.  Ele segue por vias sutis de encruzilhadas e bifurcações de múltiplas entradas e saídas. Essa potência esquizofrênica se encontra na literatura.  Por isso Deleuze/Guattari têm predileção por Kafka e outros autores ditos menores. A potência esquiza do esquizofrênico é a força revolucionária menor. Nunca se sabe onde vai dar, porque se trata de entrar em devires sensíveis e/ou imperceptíveis.  O termo menor se identifica com a potência esquizofrênica, e não se coaduna com o que há de oficial. Se o paranoico é artista das massas, o esquizofrênico é o grande esteta do molecular – não o é no sentido de maior ou menor, mas conforme o termo potência (Clécio Branco - pensando a esquizofrenia).

Capitalismo e esquizofenia

O capitalismo tem um temor: a desterritorialização esquizofrênica, que é o único processo que ameaça a produção e o lucro.  Nesse caso, é preferível abortar o processo esquizofrênico ou levá-lo ao infinito, que é a mesma coisa.  Mas há um tipo político que se pode chamar de potência esquizofrênica.  O tipo esquizofrênico arrasta consigo a potência disruptiva da pulsão de morte.  É ele que, em estado de pura potência, abre múltiplas saídas.

Corrupção

O desejo age não apenas em formas claras, como na natureza, mas também age em organismos sociais e burocráticos. Onde houver organização e organismos, haverá uma forma de agenciamento de desejo.  Por isso, a corrupção, o crime, a falsificação, a bandidagem, com sua justaposição dos indivíduos - ditos civilizados - vai junto. Um indivíduo moralista compra CD pirata com a mesma infantilidade e irresponsabilidade com que compra artigos de 1,99 (Clécio Branco).

Corrupção

Por essa razão, uma organização burocrática, como demonstrou Kafka em O castelo, desenvolve, através de seus organismos, uma complexa rede com a finalidade de blindar o poder.  Dessa forma, a organização dos órgãos, em forma de um rizoma sombrio, passa a desejar, como num organismo vivo, modos possíveis de se perpetuar.  A rede de artimanhas, corrupções e tramoias de toda espécie, poderíamos dizer, é apenas a pulsão de vida que age instintivamente até mesmo nos órgãos das repartições públicas sob o desejo de seus secretários, chefes e subchefes (Clécio Branco).

Corrupção

A maior tragédia da corrupção é a cumplicidade com um povo egoísta e ignorante. Egoísta pelo fato de desejar uma parcela do poder a qualquer preço.  E ignorante por não querer saber das consequências nefastas de eleger qualquer indivíduo baseados em seu egoísmo (Clécio Branco).

Corrpção

Em toda corrupção existe uma cumplicidade do sujeito corrupto com seu Eu enganoso. Um quadrilha parlamentar - rouba o povo e se reúne em oração para agradecer as bençãos de Deus - Por isso ter sido dito, "se Deus existe, tudo é permitido" (Clécio Branco).